sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Chula do vaqueiro Joque - mq


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Nos ermos do lá bem longe

No mundo de todo espaço

Um canto marajoara

Cai na roda feito laço

 

Não tinha noite nem dia

Na lida de todo esforço

Um animal o vestia

Dos pés até o pescoço

 

Vez nos campos alagados

Outro num tanto estiano

Sem tempo para reparar

Todo querer desumano

 

Seguia sempre na vida

Com a morte combinando

Seu modo de encantado

Natural e suserano

 

Animal enterrou chifre

Desmorrer não foi engano

Guariba surgiu das folhas

Esturrou por mais de ano

 

Um bote brotou da terra

Picando qual desengano

Cavalo quebrou a perna

Remédio foi só um ramo

 

Pescoço estalou na queda

Da morte foi desmorrendo

Encanto já se sabia

Há muito nele vivendo

 

Um dia o canto triste

Na distância ressoou

Esbarrando todo encanto

No desencanto do amor

 

Vaqueiro desencarnou

Fez valer o que é pequeno

Para gente que tem fervor

Virou, sendo, noutro pleno

 

 

 

 

“Ê guará-guará ê ...

Ê guará-mirim...

Eu conheço pelo olho

Quem fala mal de mim”

(*)

 

 

 

 

(*) Domínio Público Adaptado

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