terça-feira, 28 de junho de 2011

Legado de Villa-Lobos será recuperado

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Em testamento, Villa-Lobos deixou seus direitos autorais para a Academia Brasileira de Música, que fundara em 1945. Passado meio século de sua morte, nada mais justo do que a entidade se preocupar com a perpetuação desse legado. Dessa necessidade vem o projeto Villa-Lobos Digital, que tem como norte recuperar suas partituras.

Cópias dos originais, estes em papel vegetal, guardados na reserva técnica climatizada do museu que leva o nome do maior compositor brasileiro, são pautas muitas vezes com rasuras, signos quase ilegíveis e lapsos.

O trabalho, coordenado pelo maestro Roberto Duarte, especialista em sua imensa obra e vice-presidente da ABM, prevê a revisão de equívocos cometidos por Villa na avidez de transcrever os sons que imaginou, fossem por distração ou por humano esquecimento mesmo. “Quando encontrarem um acorde de sete notas, podem cortar uma delas. Não tenho tempo para fazer revisão, tenho muitas ideias para colocar no papel”, autorizou, de outra feita, o violonista Turibio Santos.

É nobre o objetivo do projeto, desenvolvido depois de anos de negociações com as editoras estrangeiras de Villa (a francesa Max Eschig ficou com cerca de70% do total): possibilitar que cada vez mais orquestras toquem sua música mundo afora. “Muitas vezes o material que chega para as orquestras está em situação precária”, conta o maestro, que se debruça sobre a herança villa-lobiana desde 1975, e já mereceu o título de seu “intérprete ideal”.

Projeto já conseguiu, via Lei Rouanet, patrocínio de R$ 550 mil para a primeira etapa (era necessário R$ 1,1 milhão a mais) e agora está em busca de mais R$ 1,9 milhão que dê conta de 12 sinfonias que ficaram de fora, além das óperas “Yerma” e “A Menina das Nuvens” e de peças isoladas. (Rio de Janeiro/ AE)




Via Diário do Pará
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