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Uma das pessoas mais
belas que já
conheci. Tímido e intenso
em sua
sensibilidade apurada. Simples, não
ostenta o homem culto
que é, nem
se alardeia pela vida
da sua arte como é comum ver tantos fazerem. Sua emoção não conhece trégua,
vive em intimidade
constante com
a razão, vive dentro
do que faz. Na música
para teatro,
nas parcerias, no jeito
definido das harmonias
que veste
em melodias
entalhadas no puro sentimento,
nas letras que
revelam o poeta dentro
do compositor e o compositor dentro do
poeta. E as interpretações, essas um caso a parte,
nos embriaga com a precisão da simplicidade.
Penso que as vezes, nas
madrugadas ele, como
Jayme Ovalle, deixa janelas
abertas e recebe anjos.
Certamente, quase
todas as noites, eles
chegam para convívios
e cantorias. Decerto
um anjo
convida outro pra
vê-lo cantar Amor de Lua, Pastores
da Noite, Tempodestino, Fruta Rachada, Carta da Ira... Um
abençoado, no timbre
da voz e na forma
que se doa a cada
canção.
A percepção do compositor,
poeta, músico
e do interprete extraordinário que é, leva pra onde vai, junto ao universal do homem em seu cotidiano de quereres, a brasilidade
de mãos dadas com
particularidades da Amazônia, sua terra, seu lugar de voltar.
Generosidade, essa quase raridade nos dias de hoje, é outra marca em seu trabalho e em sua vida. Discreto,
mas presente sempre, somando seu
talento a outros,
se doando integralmente como só quem sabe quem
é, pode fazê-lo. Ouvi-lo cantar é como ser arrebatado por sentimentos
guardados ou não
percebidos, como se descobríssemos um momento interior de essencialidade. Um
momento vital.
Vital Lima nasceu em
Belém-PA, o violão materno
e seu talento
revelado no I Festival de Música e Poesia
Universitária o levou definitivamente para o
interprete e o compositor. Parceiro de Nilson Chaves,
Hermínio Bello de Carvalho, Joãozinho
Gomes, Marco André, Eudes Fraga, Celso
Viáfora, Fernando Carvalho, Marco Aurélio, Mapyu, Sidney Piñon, Zé Renato, Manoel Cordeiro entre
muitos outros.
Teve seu trabalho
gravado desde o começo
da carreira por
Marlene,
Wanderlea, Simone, Ademilde Fonseca, Elizeth Cardoso, Fafá de Belém, Emílio
Santiago, Nilson Chaves, Lucinha Araújo,
Lula Carvalho,
Zé Renato, Zeca do Trombone, Grupo
Quintais, Alaíde Costa,
Magno, Delço Tainara, Marco André, Walter Bandeira,
Amadeu Cavalcante, Marisa Gata Mansa, Fruta Quente, Lucinha Bastos,
Tadeu Pantoja, Simone Almeida entre tantos outros.
Como intérprete, além
de parte da sua
obra registrada nos
discos, Pastores
da Noite, Cheganças, Vital, Chão do Caminho e Das Coisas
Simples da Vida
e de seu trabalho
também impecável
com o parceiro
e amigo de infância
Nilson Chaves nos
antológicos, Interior e Waldemar (considerado
um dos 10 melhores
lançamentos daquele ano
pela crítica
do jornal "O Globo"
do Rio de Janeiro e pelo próprio Maestro Waldemar
Henrique como impecável), empresta, em generosidade e precisão,
a voz para
muitas dezenas de canções
em trabalhos
de amigos e parceiros
com o mesmo
zelo que tem
pelas suas.
No teatro, para o qual contribuiu também
com sua
música desde
cedo, escreveu, entre
algumas outras, as trilhas das peças “O Cândido
Chico Xavier” encenada pela Cia do Caminho
e de “Bonequinha de Pano” de Ziraldo, grande sucesso
e publico e crítica. Escrita em parceria com
Jamil Damous e com o próprio
autor, ganhadora do prêmio
“Maria Clara Machado”
da Prefeitura do Rio
de Janeiro em
2003.
Vital Lima é referencia na Amazônia inteira
desde o começo
de sua carreira,
referencia como interprete, como compositor
e como o ser
iluminado que é. Em
sua obra
está presente a percepção
apurada da Amazônia e do sentimento humano.
Mestre da Sensibilidade, amigo
de uma chusma de anjos
que, como
eu, freqüentam sua
arte e sua amizade.
À Benção Vital Lima
Marcos Quinan
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