segunda-feira, 20 de setembro de 2010
conversa de pescador
para sebastião tapajós
onde as águas se encontram
integrando as entranhas
de todas as margens de lá
vive um ser feito de barro
soprado por sete luzes
pescando sons e luar
que espalha pelo mundo
nas margens de todo lugar
misturando em sete cores
suas linhas de pescar
iscando uma por uma
sonha e faz sonhar
isca um dó
e pega a dourada
com um ré
pesca rebeca
isca um mi ou um fá
pra pegar mira-céu
e facão
isca um sol
escapa a solha
isca um lá
e é tanto lalau
que resolve com o si
pegar siri
histórias de pescador
cantando por aí
nas margens de todo lugar
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MQ
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CANÇÃO DOS POVOS DA NOITE - RIO DO BRAÇO
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Rio do Braço
(Marcos Quinan)
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Arranjo – Fernando Merlino
Piano – Fernando Merlino
Cello – Manoel Antônio
Viola – Ivan Zandonada
Violino – André Cunha
Fagote – Márcio Zen
Oboé – Carlos Prazeres
Sax Soprano e Flauta – Roberto Stepheson
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domingo, 19 de setembro de 2010
vale a pena
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vale a pena
viver no tempo
de esperar tua voz
e quando ouvi-la
imaginar teus olhos
o contorno da tua boca
em sorrisos
sonhar com teu corpo
que é tanto meu
viver no tempo
nomeando formas
de ti emoldurar
na minha saudade
depois de cada chuva
ao ouvir os pirilampos
no entardecer
ao recamar das estrelas
ou no clarear das manhãs
quando ao norte
ou a oeste
meu pensamento estiver
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MQ
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RONALDO FRANCO
Estremeço ao ouvir
o teu sorriso
numa rajada
de sílabas:
fica fica fica fica
Obedeço:
sem vírgulas
sem ponto final
Ronaldo Franco - http://ronaldofranco.blogspot.com/
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sábado, 18 de setembro de 2010
SUA CARA
Explorar a ignorância
Da forma que for
É a pior das ditaduras
Encobrir a desonestidade
Com leniência
É cumplicidade sem cura
Falar aos desiguais
Como se fossem iguais
(Inventando feitos
E desmerecendo fatos)
É como armar as forças
Só para vigiar o prato
MQ
curva do tempo
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molha os pés
e as mãos
em calos
nas águas
da infância,
rio ponte,
rio pedra,
rio fonte,
caminho perdido
na curva do tempo
rio indo, ardendo
queimando paixões
rio ido
angustiado
em ser
rio velho,
jazindo,
indo, indo...
rio pedra,
rio ponte,
rio fonte,
indo...
indo...
.
MQ
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Ninguém me Conhece: 10) A Cara de Celso Viáfora, um Brasileiro que nem a Gente
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Mano Menezes, li recentemente, ganhou de presente da Nike um curso no qual aprendia a se portar perante a imprensa. Isso me fez pensar. Fui, desde sempre, contrário à contratação de Dunga pro cargo de técnico da Seleção Brasileira, contudo, embora discordasse de 90% do que ele dizia (e fazia), admirava-lhe a capacidade de ser sempre verdadeiro, espontâneo, não um macaquinho movido a pilha. Mas os tempos hoje são outros, e todos os profissionais têm que estar preparados pro que der e vier. Obviamente, com a indústria da música não podia ocorrer algo diferente. Desde que a canção deixou de ser canção pra virar sabonete, basta ligar a tevê pra se deparar com artistas sorridentes, que parecem saídos de um comercial de pasta de dentes, com frases feitas pra responder a perguntas idem, todos encenando um roteiro previamente decorado. Perto deles um cara como João Gilberto parece ser um verdadeiro homem de neandertal.
Embora igualmente sorridente, Celso Viáfora é outro que não fez o tal curso. Quando sorri, parece mais um menino tímido preso dentro de um desengonçado corpo de adulto (lembram-se de Quero Ser Grande, com Tom Hanks?). Suas deliciosas tiradas futebolísticas e suas piadas das quais ele é o primeiro a rir parecem sempre sair de supetão, à queima-roupa, como uma maneira de escapulir da pergunta ou de alguma situação na qual se sente um tanto desconfortável, jamais de um roteiro. Em tempos de robôs malhados, a figura de Celso, seja nas raras aparições na tevê, seja em cima de um palco, parece quase arcaica, desfocada. Mas Celso não tem muito o que fazer, pois é um remanescente dessa escola musical que se preocupava mais com o conteúdo que com a estética. Cá pra mim, acho que deve ter tido lições com o professor Chico Buarque. Ainda bem que cabulou as aulas de mau humor.
Como tenho muitos amigos que tiveram seus primeiros trabalhos lançados pela Dabliú Discos, acabei descobrindo lá muitos ótimos artistas. Celso foi um deles. Não me lembro bem de que maneira, um dia um CD dele me veio parar nas mãos. Era um que se chamava simplesmente Celso Viáfora e tinha uma capa desanimadora: dentro de uma moldura, tendo um desenho de uma lua crescente e uma estrela no canto superior esquerdo, um camarada com um bigodão preto, grossas sobrancelhas pretas e um topetão preto aparecia numa foto que, fosse de frente e não de perfil, pareceria um 3x4 comum. A imagem tinha um quê chapliniano. Como, reza a tradição popular, a cavalo dado não se olha os dentes, fui conferir.
Saí dessa conferência fã. Corrijo-me: admirador. Não parei mais de adquirir seus discos e procurei me manter atento a seus passos, embora à distância. Com os anos, e por conta de amigos em comum, acabei me aproximando dele e tive a oportunidade de conhecer o homem por trás do compositor. Em princípio, sentia-me um tanto constrangido e deslocado, pois sempre gostei de manter certo distanciamento do causador da admiração, pra não lhe conhecer os defeitos. Mas Celso sempre agiu, comigo e com os outros que o rodeiam, de forma tão desprovida de afetação, que o relacionar-se com ele acaba resultando tão natural que não se carece de formalismo. Depois que ele descobriu também o Caiubi, cansei de vê-lo por ali, em algum canto, tão discreto que beirava a invisibilidade (apesar do porte).
Gosto de artistas assim, gente como a gente, que não necessitam de muletas pra que sua obra caminhe, pois ela sabe fazê-lo por si só. Infelizmente hoje os artistas adquirem notoriedade mais por suas caras e bocas, seus escândalos, seu visual, que por sua arte. Quem menos tem o que falar mais fala. Mas a culpa por esse panorama também a temos nós. Nossa preguiça acaba fazendo que conheçamos apenas o que nos esfregam na cara como sendo material de qualidade. Daí ficamos parecendo neném tomando aquelas sopinhas que a mamãe teve antes que amassar com a colher. Ou seja, preservamo-nos da ação de mastigar antes de deglutir. Minuto filosófico! Com o patrocínio do Boteco do Seu Sócrates! Voltemos ao Celso:
À margem desse universo fashion, Celso, um chopinho ali, uma canetada aqui, uma pedalada acolá, uma violada mais além, solidifica sua carreira ano a ano. Além de melodista dos mais inspirados, é, já faz um bom tempo, letrista dos mais requisitados. Que o digam, entre tantos outros, Vicente Barreto, Ivan Lins e Francis Hime, que, tendo-o como parceiro, dão a dimensão do que é o trabalho desse moço, que, como ninguém é perfeito, teve o mau gosto de torcer pelo Timinho. Mas tal falha não é capaz de manchar seu curriculum. Não há de ser nada, não há de ser nada, pra quem já nos deu Não Vou Sair, A Cara do Brasil, Emoldurada, Papai Noel de Camiseta... Se eu continuar, não paro hoje!
Mas Celso nasceu pra ser assim, "torto igual Garrincha e Aleijadinho, ninguém precisa consertar". Se lixou pra falta de espaço no Sudeste e foi ser ídolo no Norte, atuante, produzindo, compondo, descobrindo (e descoberto por) outros Brasis. Jogou o manual fora, mandou uma banana pra mídia paga e gravou do jeito que quis seu primeiro DVD, Batuque de Tudo: contraventor, utilizou, em vez de palco, a fazenda de Rafael Alterio, o Garga!; em vez da chiadeira do público pagante, apenas o chiado gratuito dos passarinhos; em vez de um repertório batido, canções inéditas; e, pra complementar, chamou pra lhe fazer companhia nessa viagem os manos com tempo de brodagem (como gosta de dizer). Não tinha como não resultar em algo excepcional. Se todo DVD musical fosse assim, até que eu compraria alguns.
Por falar ainda no professor Chico, acredito que ele, mesmo sem saber, não estava se referindo a esses moços (pobres moços) que compõem modernas velharias quando cantou "Evoé, jovens à vista". Referia-se a jovens como Celso Viáfora.
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Ouça algumas das caras do brasileiro Celso Viáfora aqui:
http://clubecaiubi.ning.com/profile/OXdoPoema
Por Léo Nogueira - http://www.oxdopoema.blogspot.com/
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
piedade
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para piedade e rubens almeida
requebrou
a poesia dos gestos
e a noite chorou
declamou
seu corpo de rimas
e o poeta calou
quando fecharam as cortinas
eu vi piedade no devaneio
das suas mãos
pisando luar
e foi tanta beleza andando
o caminho
que até os meus versos
vieram olhar
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MQ
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RUY GODINHO - RODA DE CHORO

RODA DE CHORO – SÁBADO – DIA 18.09.10
No 1º bloco o destaque vai para a Coleção Princípios do Choro e abordará obras do compositor João Valeriano, ilustre desconhecido, nascido por volta do ano de 1870.
No 2º bloco enfocaremos o CD Noites Cariocas – Os Maiores do Choro, ao Vivo no Teatro Municipal, lançado pela gravadora Kuarup, em 1988.
No 3º bloco, a continuidade: o CD Noites Cariocas – 15 Anos Depois – A Alegria do Improviso, lançado pela Kuarup, em 2001. Os dois discos trazem a magia das rodas, a alegria dos improvisos e a descontração da camaradagem entre os chorões.
O destaque no 4º bloco - do Choro Cantado – é Carmina Juarez e o som do CD Tenho Saudade, lançado pela Dabliú, em 2000, feito em homenagem à cantora Elisinha Coelho.
No 5º bloco, a tônica será a presença do violonista e compositor cearense Tarcísio Sardinha e o som do CD Brasileirando, produção independente repleta de choros.
Ouça pela internet:
Rádio Câmara, Brasília: http://www.radio.camara.gov.br/ (rádio ao vivo), sábados, 12h.
Rádio Roquette Pinto, Rio de Janeiro: http://www.fm94.rj.gov.br/
terças e quintas-feiras, 14h; quartas e sextas-feiras, às 2h.
Rádio Utopia FM, Planaltina-DF, quartas-feiras, 18h.
Produção e Apresentação: Ruy Godinho
VINÍCIUS DE MORAES
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Pátria Minha - 1949
Moraes, Vinicius de, 1913-1980
Trata-se da publicação do poema inédito "Pátria minha", em edição limitada de cinqüenta e cinco exemplares, realizada por João Cabral de Melo Neto, em sua prensa manual, em Barcelona, Espanha, no ano 1949. Desde 1946, Vinicius ocupava o cargo de vice-cônsul em Los Angeles, Estados Unidos, onde permaneceria durante cinco anos sem retornar ao Brasil.
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Possui dedicatória de Vinicius de Moraes a Nêguinho datada de 1949.
http://www.brasiliana.usp.br/bbd/bitstream/handle/1918/02239200/022392_COMPLETO.pdf
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010
instante
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o instante como lúcida chama
perseverou o calor
que ensaiamos tantas vezes
no silêncio dos gestos
anelos esparramados
na nudez
do que sentimos
contando o tempo
da espera
que a mágica do instante
não espera
o instante como lúcida chama
queimou com suavidade
nossos corpos
vestidos de volúpia
minhas mãos
beijaram teu corpo
minha boca
comeu a tua
e meus olhos
te lamberam a pele
com cheiro de aurora
estavas nua
quando a chama lúdica
estremeceu vadia
na ponta do olhar
e me lambeu também
o teu corpo disse sim
tua boca comeu a minha
sentimos o suave orvalho
por entre as roupas
e a lucidez do instante
desprendendo do tempo
nos colorindo de chamas
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MQ
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010
CANÇÃO DOS POVOS DA NOITE - RETIRO
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Retiro
(Marcos Quinan)
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Arranjo – Fernando Carvalho
Violões – Fernando Carvalho
Sax Soprano – Roberto Stepheson
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posse
amo cada parte do teu corpo
com olhar discreto
(às vezes)
olho cada uma
com desvairamento e gula
e mesmo de longe
o tenho com a posse
da minha imaginação
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MQ
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FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO - RECIFE

Trajetórias exibe obras de artistas paulistas nas galerias Baobá e Massangana
A abertura das exposições do Projeto Trajetórias 2010, da Fundação da Fundação Joaquim Nabuco, acontece no dia 16 de setembro, nas Galerias Baobá e Massangana, às 19h. Na Galeria Massangana, o público poderá visitar gratuitamente, de 17 de setembro a 31 de outubro, a exibição da obra “Orange Gardens”, de Cris Bierrenbach. Já na Galeria Baobá, o público terá acesso gratuito, de 17 de setembro a 31 de outubro, à obra “Riscos e Fugas”, de Carla Chaim.
Serviço
O que: * Abertura das exposições do Projeto Trajetórias 2010, dia 16 de setembro
* Exposição das obras “Orange Gardens” e “Riscos e Fugas”, de 17 de setembro a 31 de outubro
Onde: * Galeria Massangana - “Orange Gardens”, de Cris Bierrenbach (SP)
* Galeria Baobá - “Riscos e Fugas”, de Carla Chaim (SP)
Endereço: Avenida Dezessete de Agosto, 2187, Casa Forte – Recife/PE.
Entrada: gratuita
Informações: (81) 3073.6692 www.fundaj.gov.br
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Arte contemporânea para professores e alunos
Estudantes, professores da rede pública e privada e público interessado em arte pode se inscrever gratuitamente para o Encontro de Atualização em Arte Contemporânea, que acontece no dia 16 de setembro, na sala Calouste Gulbenkian, na sede da Fundação Joaquim Nabuco, em Casa Forte, Recife-PE. O interessado pode participar do encontro pela manhã, das 9h às 12h, ou à tarde, das 14h às 17h. Na ocasião, será apresentada pesquisa sobre os artistas selecionados pelo Projeto Trajetórias 2010, da Fundação Joaquim Nabuco, a fim de permitir a conexão entre a sala de aula e espaço expositivo da galeria. Posteriormente, os professores poderão agendar visitas de suas turmas às exposições. O Encontro de Atualização em Arte Contemporânea dá continuidade às atividades do Projeto Primeiro Olhar da Divisão de Ações Educativas da Fundação Joaquim Nabuco.
Serviço
O que: Encontro de Atualização em Arte Contemporânea
Quando: 16 de setembro, pela manhã (9h às 12h) e pela tarde (14h às 17h)
Inscrições: são gratuitas e acontecem até o dia do evento
Onde: sala Calouste Gulbenkian, na sede da Fundação Joaquim Nabuco em Casa Forte
Endereço: Avenida 17 de Agosto, 2187 - Casa Forte • Recife • PE
Inscrições e informações: (81) 3073-6682
E-mail: culturaeduc@fundaj.gov.br
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