quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

OLHARES

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OLHARES
..
..
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na madeira do serrado
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a tonalidade-sentimento
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do amor rondando os dias
.
.
beleza
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contendo verdades
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que não sei dizer
.
por isso a entrego
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aos seus olhos

instantes de simplicidade

testemunho do olhar

para o olhar

nas jaboticabeiras

colhi a doçura de lembrá-la

a chuva no sertão

umedeceu meu pensamento

pra sentir muita saudade

cabaças pareceram mundos novos

onde cabe

esse amor

meu olhar

quando sou o seu olhar

um ninho

em delicadeza

esse amor

riso

risos

assim estive com você

na brandura da alegria

que adivinho

entreguei o luar do sertão
.
com uma estrela solitária

a esse amor sem solidão

emoção do meu olhar

que é também o seu

e que é seu

palmeiras para lembrar buritis

e pertencimento


beleza gravada

na sua história

na minha história

se confundindo

desmisturadas



deixo o pensamento dizer

o que idealizo
.
do desejo
..
palavras dispostas nos versos
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do seu corpo
.
e da sua alma
.
.
imaginados
.
inteiramente
.
vertiginosamente
.
.
momentos seus
.
só seus
.
mas de alguma forma meus
.
sorrateiramente
.
meus


o tempo desenhando

e entregando

beleza à memória do seu olhar
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nosso quintal
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já que é ponto de nascer

na concretude escolhida

é

riso

que percebo com a juventude

na minha memória
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amor nascido

sem nascer

entregue sem corpo

para o poema da lembrança

negação geográfica

nos escondendo
.
.

temporalidade

que não tira o espaço

da minha saudade

por isso não imagino

seus lábios

sem os meus

seus gestos sem os meus

colocados

milimetricamente no que sonho
.

misturando sensações

criadas

para a fragilidade

de cada segundo

onde guardo esse amor


poderia descrer

não dizer

não te aprender
.
e não me saberes
.

nada posso exibir

senão o lirismo desabando

da minha poesia viva

é nela

que morro todos os dias

sonhando sua carne
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no corpo de versos
.

contato íntimo

intenso como minha vida

entregue em solidão

misturada com meu olhar

que é seu
.
.

amorosamente
.
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MQ
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

REDE DE ÁGUA - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo

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Rede de água


Erê! Tomei açaí
Atei minha rede no ar
Dormindo foi que me vi
Navegando pra Macapá
Erê! Telelém... nessas águas
Que sonho tem pra sonhar
Que chuva leva meus olhos
Esperando a saudade passar
Erê! Telelém... adormece
Que a noite vai navegar
Em volta de cada silêncio
Que ela tem pra contar
Vai levando o Viajeiro
Na forma de balançar
No rio que vira rede
Enquanto caminha pro mar

Erê! Terra Tucujú
Telelém... amanhã vou chegar
Atracando em Santana
Com sonhos que aqui vim sonhar
Telelém... telelém...


MQ
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EDUEPA - BELÉM

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VER-TE-BELÉM HISTÓRICA

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

OS IRRECUPERÁVEIS - BELÉM

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A INQUIETUDE - RIO DE JANEIRO

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VIA CARA NOVA NO CONGRESSO

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Senadores com ocorrências na Justiça:

http://caranovanocongresso.blogspot.com/2010/01/senadores-com-ocorrencias-na-justica-e.html



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TAVITO - RIO DE JANEIRO

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PAULO MOURÃO E SEU RIBEIRO - BELO HORIZONTE

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Fotografia - Grace Alves
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O violeiro, compositor e cantor Paulo Mourão divide o palco do Teatro Isabela Hendrix com o cantador do Vale do Rio das Velhas Seu Ribeiro num show intitulado "NA IMENSIDÃO DOS GERAIS" abordando a grandeza de Minas Gerais tanto em sua extensão geográfica quanto em sua diversidade cultural.
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Dia 27 de janeiro de 2010, às 21 horas, no Teatro Isabela Hendrix.

Valor do ingresso é R$ 10,00.

Outras informações pelos telefones: (31) 3244 7219 (Isabela Hendrix), 3637-1770 (Seu Ribeiro) e 8748 2815 (Paulo Mourão).

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domingo, 24 de janeiro de 2010

VINÍCIUS DE MORAES

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O dia da criação



Macho e fêmea os criou.
Gênese, 1, 27



Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.

Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.

Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.


Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Hoje há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criançinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há uma comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado



Por todas essas razões deverias ter sido riscado do Livro das Origens,
ó Sexto Dia da Criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas
E depois, da separação das águas, e depois, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra
Melhor fora que o Senhor das Esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal, dona do abismo, que queres como
as plantas, imovelmente e nunca saciada
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Mal procedeu o Senhor em não descansar durante os dois últimos dias
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o Senhor e simplesmente não existiríamos
Seríamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas
em queda invisível na
terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seríamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil, imposto sobre a renda
e missa de
sétimo dia.
Seria a indizível beleza e harmonia do plano verde das terras e das
águas em núpcias
A paz e o poder maior das plantas e dos astros em colóquio
A pureza maior do instinto dos peixes, das aves e dos animais em [cópula.
Ao revés, precisamos ser lógicos, freqüentemente dogmáticos
Precisamos encarar o problema das colocações morais e estéticas
Ser sociais, cultivar hábitos, rir sem vontade e até praticar amor sem vontade
Tudo isso porque o Senhor cismou em não descansar no Sexto Dia e [sim no Sétimo
E para não ficar com as vastas mãos abanando
Resolveu fazer o homem à sua imagem e semelhança
Possivelmente, isto é, muito provavelmente
Porque era sábado.
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sábado, 23 de janeiro de 2010

GUIMARÃES ROSA

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GARGALHADA


Quando me disseste que não mais me amavas,
e que ias partir,
dura, precisa, bela e inabalável,
com a impassibilidade de um executor,
dilatou-se em mim o pavor das cavernas vazias...
Mas olhei-te bem nos olhos,
belos como o veludo das lagartas verdes,
e porque já houvesse lágrimas nos meus olhos,
tive pena de ti, de mim, de todos,
e me ri
da inutilidade das torturas predestinadas,
guardadas para nós, desde a treva das épocas,
quando a inexperiência dos Deuses
ainda não criara o mundo...

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

JAC. RIZZO - "A insustentável leveza do ser"

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"Minha vida aportou aqui sem dizer
que ia ficar,
tal como a canoa do pescador
que pára junto a uma pedra,
sem saber se é por meia hora ou pelo dia inteiro.
Entendo que é apenas mais uma estação, nesta viagem
em demanda de coisa alguma."

Rubem Braga

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Seria bom se estivéssemos sempre prontos para partir.
Com a bagagem reduzida, para que atrapalhasse o mínimo possível.
Com os adeuses em dia, sem mágoas guardadas, nem amores reprimidos.
Livres de ranços passados, de sentimentos não resolvidos.
Seria bom! Partiríamos calmos, mansos, apaziguados com nós mesmos.

Partiríamos sem pensar em lugares não visitados,
em livros não lidos,
nos papéis guardados, que não serviram para nada,
em telefonemas que não demos, no amigo que não apertamos
num abraço cheio de calor e agradecimento.

Partiríamos livres e soltos e leves e conformados.
Pois que não houve palavra alguma que não foi escrita ou pronunciada.
Nenhuma emoção escondida, nenhum pensamento ignorado.
Erguemos diante do mar de nossa existência, todas as possibilidades.

Só assim é possível partir!
Só dessa forma não nos agarraríamos nas pedras que pensávamos
que segurassem nossas casas e amarrassem nossas asas e almas.
Nossas moradas são frágeis e efêmeras.
Tudo à nossa volta é feito de brisa.

E já transformados em éter, precisaríamos apenas
de um vento suave e doce.
Partiríamos embalados por canções e o ruído familiar do farfalhar
de folhas, como se fossem ainda em nossos quintais.

E na essência de nós, a certeza de uma palavra preciosa,
de gestos puros de carinho!
Levando, na memória da vida, só os amores
que amamos com tanta ternura!

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Jac. Rizzo - http://jacrizzo.blogspot.com/
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RUY GODINHO - RODA DE CHORO

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RODA DE CHORO – SÁBADO – DIA 23.01.10

O destaque do 1º bloco vai para a Coleção Princípios do Choro. Dois compositores serão enfocados: Mondego, que foi professor de música da Sociedade Musical Estrada Velha da Tijuca e Irineu Pianinho, que tocava flauta na Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, ambos nascidos por volta do ano de 1870.
No 2º bloco o destaque vai para Jacaré, codinome de Antônio da Silva Torres, nascido no Recife em 1930. Jacaré foi um grande mestre do cavaquinho, para o qual compôs verdadeiras obras-primas, que podem ser conferidas no LP/CD Choro Frevado.

No 3º bloco, o destaque vai para o premiado CD Saracoteando, segundo disco do grupo Água de Moringa, lançado em 1998 e que teve boa repercussão de crítica.

No 4º bloco, teremos a presença sempre bem vinda do “negro gato” Luiz Melodia e os choros e sambas de gafieira constantes no CD Estação Melodia, lançado em 2007.

No 5º bloco, com a colaboração do pesquisador Luiz Ayiô, vamos revelar o saxofonista e compositor paraibano Geová Lins e o som do CD Encontro de Chorões.

Ouça pela internet:

Rádio Câmara, Brasília: www.radio.camara.gov.br (rádio ao vivo), sábados, 12h.

Rádio Roquette Pinto, Rio de Janeiro: www.fm94.rj.gov.br
terças e quintas-feiras, 14h; quartas e sextas-feiras, às 2h.

Rádio Utopia FM, Planaltina-DF, quartas-feiras, 18h.

Produção e Apresentação: Ruy Godinho
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

WANDA MONTEIRO - O BEIJO DA CHUVA

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SUBMERSO EM SEU DOMÍNIO
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Mais
Que do Homem
Sexo
Supremo
Convexo
Que lhe rende
Invade
Toma

A Mulher
Quer saber do Menino
Semente
Que prepara

Crescendo
Nadando
Sonhando
Na umidade de seu Templo
Líquido
Sagrado
Côncavo
Submerso em meu domínio.
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SÃO GONZAGA - UM LUGAR CHAMADO RONCADOR

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são gonzaga
(eudes fraga / marcos quinan)



em qualquer pé de serra
que se encontre o sertão
nenhum fole fala baixo
nenhum fole cala não
quando prega conselheiro
quando reza são rumão
quando canta cangaceiro
congregando lampião
quando toca sanfoneiro
ninguém se agüenta não
salve a zabumba no sertão troando
salve o fole no forró resfolegando
salve seu gonzaga lá no céu mostrando
como é que se dança o baião
salve o abôio do seu canto embalando
é xote é xaxado é galope embolando
abençoado quem te viu cantando
oh meu são gonzaga do baião
em qualquer pé de serra
que se encontre o sertão
há de sempre um vaqueiro
honrando o seu gibão
aboiar o ano inteiro
em gestos de contrição
há de sempre sem receio
seguindo frei damião
o povo juntar inteiro
e lutar pelo seu chão
salve a zabumba no sertão troando
salve o fole no forró resfolegando
salve seu gonzaga lá no céu mostrando
como é que se dança o baião
salve o abôio do seu canto embalando
é xote é xaxado é galope embolando
abençoado quem te viu cantando
oh meu são gonzaga do baião
baião... baião...

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waldonys – voz e acordeom
eudes fraga – voz
fernando merlino – piano elétrico
pantico rocha – bateria
marcelo mariano – baixo
roberto stepheson – sax soprano
fernando carvalho – violão de 12

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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo
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Terra Tucujú


Erê! Terra Tucujú...
Erê! Clícia-Flor... Telelém...
Erê! Seu marido de amor...
Telelém...
Telelém...
Telelém...
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Bebedouro


Gengibirra tomei na cuia
Bebendo um tantão de luar
Comi filhote na brasa
Desejo não sei disfarçar

Na orla tomando vento
Olhei e pensei quase mar
Soprando só alegria
Que vinha pra ensinar
A lidar com o bravio
Quando batuque eu dançar

Camarão cozido no bafo
Marabaixo já sei tocar
Formigueiro, ai deu saudade...
Da gente de cada lugar

Bebedouro me bebeu
Telelém cantei foi lá
Ritmado em Tucujú
Curiaú e ancestrais
Erê! Telelém... telelém...

MQ
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MÁRCIA CORRÊA - Até ontem

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Nunca mais palavra minha

Refluxo de dor na garganta
Parede inacabada e fria

Nunca mais palavra mal dita
Assim mesmo inescrita
Contrário da regra formal
Intrépida, quase carnal

Nunca mais palavra bêbada
Inebriada de autorias
Rugas na escrita sombria
Velhos vícios de amar

Nunca mais inacabar

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Márcia Corrêa - http://novopapeldeseda.blogspot.com/
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SELMA PARREIRA - CIDADE DE GOIÁS

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

ERÊ! MAZAGÃO VELHO - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo
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Erê! Mazagão Velho

Passo do novo pro velho
No dia inteiro de chegar
Na festa que é do Divino
E o marabaixo vai contar

O telelém canto baixinho
Com intenção de rezar
Minha oração de folia
Que trouxe pra festejar

Aumento qualquer alegria
Que é nela que sei lutar
Sou como o santo Tiago
Que chega de todo lugar

Erê! Mutuacá
Feliz em sua jornada
Vim lavar nessas águas
Cansaço e pó de estrada
E trazer o meu caminho
Pra perto de sua braçada
Erê! Telelém... telelém...


MQ
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

BREGANHA


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breganha


pareceu agora na minha lembrança
um caso do diabo que se assucedeu...
muitos ano atráis
lá nas bera do ri do braço
rosinha ruim dos peito
nem ia iscapá,
famia tudo avisado
a mãe, as irmã, as tia
puxava reza, fazia promessa
era uma consumição vê ela daquele jeito
benzedô num dava jeito,
dotô só balangava a cabeça
desacorsoado
i’eu no meu canto
me apegava com pai de todos e nada
foi aí que resovi chamá o dêmo
e fazê breganha
vida de rosinha prá cá
arma pecadora prá lá
foi como se o coisa ruim tivesse esperano,
de repente rosinha miora,
fica boa que os dotô
e benzedô num creditava
vinha de longe prá vê
i’eu no meu canto
isperano o rabudo cobrá o trato
numa tremedeira
nem durmino tava
e deu-se um tempo
desalembrei do beiçudo
que num vinha acertá
um dia tano tocano boiada
só animá pejado de brabeza
e muita pricisão de chegá
no relance
apareceu o vermelhão,
o ronca-quente
capeta no duro
pele carroquenta
e chifrão afiado

- vim te buscá
- agora num vô, tô cheio de sirviço
- trato é trato
- tem que isperá
- vou te levá
- agora num vô, tô ocupado
- ocê tratô tem que pagá
- pagá i’eu pago, mais tem que isperá

dipois de muita discussão
o gramulhão intestô
e bufando veio prá riba de mim
i’eu num devorteio
garrei o rabo dele e dei um nó
o bichão saiu pulando,
peidando e cagando fidido
era bosta do dêmo prá tudo que é lado
do carvueiro até a meia légua
ficou uma catinga só
no rasto do beiçudo
pulano cerca
da feita que o feioso nunca mais vortô
i’eu num temo a morte
pur sê coisa certa
mais arma minha na rezança do céu
vai parecê não

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MQ
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SEU RUFINO - UM LUGAR CHAMADO RONCADOR

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seu rufino
(eudes fraga / marcos quinan)


quando o ser nasceu
macuco pousou na copa
e o ar silenciou
quando o ser nasceu
o grito que ele deu
pela boca de um passante
foi rufo de um rufino
lambendo a escondição
o verbo irreverente
gemendo um apagão
no céu o preto se pôs
de susto, invocação
tremeu o mato verde
pulou os rios do chão
e o ato virou fato
amarrado fora das mãos
e o canto desse jitinho
acochou a imensidão
a história de macunaima
resvalou sem atenção
quando o ser nasceu
macuco pousou na copa
e o ar silenciou
quando o ser nasceu
cortou o mapa da raça
plantando uma nova nação
nas raízes de roraima
nos gritos de um pregão
o rufo de seu rufino
ressoou pelo desvão
trincou os ferros armados
da altura caiu cordão
o rufo de seu rufino
estalou feito carvão
lançou língua, mão de laço
reformou toda a ação
o rufo de seu rufino
fez brilho de zelação
remunhou pelos caminhos
colhendo outras canções


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paulo façanha – voz
eudes fraga - coro
fernando merlino – piano elétrico
pantico rocha – bateria e percussão
marcelo mariano – baixo
reno saraiva - acordeom

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domingo, 17 de janeiro de 2010

LUIZ ALBERTO MACHADO - MACEIÓ

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ÊRE! MARABAIXO DE RUA - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo

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Erê! Marabaixo de rua


Erê! Marabaixo de rua
Lá vem a caixa a rufar
Juntando os peregrinos
Nessa oração de cantar

Erê! Marabaixo de rua
Gengibirra pra alegrar
O dia que é do Divino
E da gente desse lugar

Erê! Marabaixo de rua
Um caldo pra sustentar
Essa casa sempre aberta
Pra dança que veio rezar

Erê! Marabaixo de rua
A porta já esta aberta
Dentro do meu coração
Já ergui o mastro da festa
Telelém... telelém...


MQ
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BIRATAN

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sábado, 16 de janeiro de 2010

RIO DO BRAÇO - IPAMERI - GO

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Fotografia: Rô
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QUERER

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Querer


Dei-te aos meus olhos
E recolhi os gestos
Que a beleza incomum
Esparramou no ar

Ouvi atento as palavras
Acompanhando o momento
Preciso das mãos

Discretamente meu olhar
Sonhou a sensualidade
Desenhada na boca
E na beleza do teu corpo
Contornado pelo perfume

Deixei o enlevo me tocar
E quis tocar tua pele
Sonhei com fragmentos
Da tua vida na minha
E com momentos
De deslumbramento

Assim desejei loucamente
E quis tê-la em meus braços
A despeito de não conhecê-la
Reconheci o instante
E me ofereci aos teus olhos
.
MQ
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PERDOA-ME POETA

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Perdoa-me poeta


Perdoa-me poeta
Mas teus versos
Não me emocionam mais
Algumas coisas
Tiraste de ti
E tua angústia
É a mesma de ontem
Mas a minha
Nunca sai do amanhã

Entregaste ao teu
Próprio corpo
Os versos que já
Fizeram-me sonhar
E encorajar minha pele
Todos os dias
Para ser lanhada
Pelo que inconforma

O vício de ser franco
Não deixa a luta me enfraquecer
E sempre aponta em riste
Um verso novo
Que agradece e te perdoa
.
MQ
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MARIELZA TISCATE - AMOR DE AMAR

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Não sei o que me faz
Perder-me nesta vaga via
Estrada fina
Em nosso coração

O que me faz acreditar
Em contos, poesia
E em deixar-me ir
No escorrer dos dias
Devagar
Em sua direção

Talvez seja o desejo pertencimento
Para além dos medos e coragens
Simplesmente ser de alguém
Sem fincar bandeiras

Não sei o que me faz
Achar-me tão intensa e quente
A banhar-me a pele nesse fogo ardente
Esperando um dia que talvez não venha
Que talvez não seja estrada para algum lugar

Não sei o que me faz acreditar
Talvez seja amor
O amor de amar

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O QUE MAIS ME DARÁS

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O que mais me darás


O que mais me darás
Para embevecer
Meu pensamento
Liberto da realidade

Teu olhar
As mãos estendidas
E o riso consagrando
O espaço

Teu perfume
As pernas cruzadas
E o jeito de menina
Festejando

O que mais me darás
Para surpreender
Meu atrevimento
Dizendo verdades

O que mais me darás
Dentro dos beijos
E imerso num olhar
Contendo carinho

O que mais me darás
Retirado da coragem
E do comum dos dias
Para ser meu lugar

O que mais me darás
Quando sentindo prazer
Se entregar lânguida
Aos desejos do meu

O que mais me darás
Depois de tanto amor

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MQ
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VILA PROGRESSO - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo


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Vila Progresso


Pinta o tempo em minhas mãos
Das tuas, me dê a loucura da dor
E assim, nossos olhos viram rios
Sem margens e cheios de amor

Telelém... Telelém... Telelém...

MQ
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O TEMPO

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O tempo


Quantas voltas deu o tempo
Fingindo nos encontrar
Quantos anos de procura
Passaram-se sem parar

Quantos arrependimentos
Esquecemos de contar
Quanto esforço um momento
Precisou pra se calar

Quantas dores se escondiam
Bem dentro do teu olhar
Quando vergavas o silêncio
Para o instante não falar

Quantas cores misturadas
Dentro desse mesmo olhar
Quis calar as nossas bocas
Procurando o que explicar

Quanto restou guardado
Sem o tempo se importar
Se na vida há tamanho
Pro amor nunca acabar

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MQ
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

SONHO

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Sonho


Sonhei que transformava
Cada parte do seu corpo
Que tocava ou beijava em palavras
E ia soltando cada uma delas ao vento...

Elas viravam musica
E soavam em volta,
Quanto mais tocava ou beijava
Mais palavras, mais música,
Mais vontade de nunca parar...

E quando nos beijávamos intensamente,
Seus olhos brilhavam em muitas mil cores
Eu a queria tanto...
Você me queria tanto...

Só não sei quanto sonhei dormindo
Quanto sonhei acordado
Mas sei que estive ao seu lado
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MQ
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BIRATAN

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CANTEIRO

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MQ
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JAC. RIZZO - Canção da fé

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Eu só acredito
na vida
no coração que bate
no sangue quente
na dura lida

Sei que é verdadeiro
o ar que entra nos pulmões
e impulsiona a vida

só isso me demove

Mas ponho fé no amor
que levo no coração

E na emoção do teu olhar
quando me olhas

O resto
é pura especulação

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Jac. Rizzo - http://jacrizzo.blogspot.com/

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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

MARIELZA TISCATE - MEU POETA

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Meu poeta
eu te chamo
eu subo em montanhas
e desço planícies sem fim
Te chamo

Exalo meu cheiro
Me espalho no vento
Eu banho meu corpo
E chamo

Meu poeta
escuta
Meu suor escorrendo
na água de teu copo
na água de teu banho

Eu chamo e peço
teu corpo no meu
Meu poeta eu peço
a chama
o fogo
a fúria
o vento
o doce da fruta de teu beijo

Eu subo em montanhas
e venço planícies
poeta, poeta
eu queimo
na sombra
Sou o sol em tua varanda
o calor dos lençóis em tua cama
sou a lava escorrendo
Chamando
Poeta
Me ama!
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BAILIQUE - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo

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Bailique


Erê! As visagens moram
No mundo de todo lugar
Mas aqui no Bailique
Elas só vêm passear
Telelém... telelém...

Balanço de rede ouvindo
O vento a balançar
E o silêncio pedindo
Só um lugar pra ficar

Tantas dúvidas medindo
Qual resposta pesar
Nenhum olhar é furtivo
Quando se põe a falar

Nenhuma duvida resguarda
O sonho que viemos sonhar
Sem formato definitivo
Renascendo em cada lugar

Erê! A jornada bate
Na porta pra descansar
Telelém... Telelém...
Não se importe
Sabemos como ir e voltar
Telelém... Telelém...


MQ
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domingo, 10 de janeiro de 2010

GUIMARÃES ROSA

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“O sertão é uma espera enorme.”

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HABEAS PINHO

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Em 1955 em Campina Grande, na Paraíba, um grupo de boêmios fazia serenata numa madrugada do mês de junho, quando chegou a polícia e apreendeu o violão.

Decepcionado, o grupo recorreu aos serviços do advogado Ronaldo Cunha Lima, então recentemente saído da Faculdade e que também apreciava uma boa seresta.

Ele peticionou em Juízo, para que fosse liberado o violão. Aquele pedido ficou conhecido como "Habeas Pinho" e enfeita as paredes de escritórios de muitos advogados e bares de praias no Nordeste. Eis a famosa petição:

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara desta Comarca:

O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola.
É simplesmente, doutor, um violão.
Um violão, doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão.
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.
O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade.
Ao crime ele nunca se mistura.
Inexiste entre eles afinidade.
O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e que povoam a vida
Sufocando suas próprias dores.
O violão é música e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.
Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.
Mande soltá-lo pelo Amor da noite
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras.
Libere o violão, Dr. Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito.
É crime, porventura, o infeliz,
Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?
Será crime, e afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
Perambular na rua um desgraçado
Derramando na rua as suas dores?
É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento.
Juntando esta petição aos autos nós pedimos
E pedimos também DEFERIMENTO.

Ronaldo Cunha Lima, advogado.

O juiz Arthur Moura sem perder o ponto deu a sentença no mesmo tom:

"Para que eu não carregue
Muito remorso no coração,
Determino que seja entregue,
Ao seu dono, o malfadado violão!“

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sábado, 9 de janeiro de 2010

ME BÊNÇA - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo


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Me bênça


Erê! Povo de longe
Tão perto veio chegar
Repicando suas caixas
Para encanto Amapá
Telelém... telelém...

Cochicho sem segredo
No senso da infância
Que o tempo entendido
Conservou como herança

Me bênça Maria Barriga
Apara e põe pra chorar
Me lança em águas do rio
Que têm o tamanho de mar

Me bênça Tia Dacina
Encanta e faz dançar
Me lança no tom da alegria
Que vibra no couro a rufar

Me bênça Olga Jacarandá
Ensina e faz sonhar
Com o que há mais bonito
Aqui e em cada lugar

Telelém... Maria Barriga
Telelém... Tia Dacina
Telelém... Olga Jacarandá
Me bênçam com suas vidas
Em pedaços entrelaçadas



MQ
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BIRATAN

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

JAC. RIZZO - Miragens

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Os poetas se consomem
em labaredas
Vasculham
a própria história
atrás de lembranças
que machucam
e canções esquecidas
na memória

Procuram
sem descanso
amores antigos
que dormem
no remanso

Estão no vento
no redemoinho
a reerguer
os sonhos
e construir castelos

Mas nos dizem sempre
no momento exato
a palavra que nos salva

Estão sempre em busca
de milagres

Os que ainda não aconteceram


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Jac. Rizzo - http://jacrizzo.blogspot.com/
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OS SALTIMBANCOS - RIO DE JANEIRO

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RIO DO BRAÇO - IPAMERI - GO

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Fotografia: Rô
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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

TODAS AS SANTAS - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo


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Todas as Santas

Erê! Santa da Luz
Senhora da Piedade
Erê! Telelém vim rezar
Com todos dessa cidade

É festa, é alvorada
A noite acabou de passar
Inspirando cada bendito
E galantes sons pelo ar

Ladainha canto bonito
Jaculatório ouvi contar
Fogos brilhando nas mãos
Que também vieram tocar

Couro esquentando fogo
O sono já vai passar
Labada enfeitada de fitas
Pra tradição respeitar

Tabocas requebrando som
Esperando o café coar
Batuque ritmado no tom
Diante de cada altar

Erê! Telelém... telelém...
Galo canta, sinal do dia
Que se põe a clarear
Juntando canto com canto
Que aqui viemos prezar
Erê! Telelém...



MQ
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RECONHECIMENTO

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Reconhecimento


Quero tocar os seus pés
Com minhas mãos amorosas
Massageá-los como se fosse
Um momento de reconhecimento

Um momento de adolescência e ternura
Como se pudesse ter estado em cada passo
Sentindo a procura na sua caminhada
E a ilusão de que estiveram me buscando

Depois deitar com a cabeça
Sobre suas coxas e contar
A história dos meus caminhando
E chegando ainda a tempo até você
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MQ
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

REMÉDIO DE VALOR - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo



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Remédio de valor


Aningueiras formam várzeas
Nas margens do Beija-flor
Que leva meu pensamento
Pra onde esta o amor

Quintais de chão varrido
Sombras da minha infância
Passando pelos momentos
Lembrados nessa distância

Em cada verso que ouço
Nas conversas de varanda
Me dá saudade de filho
Sem o gosto de demanda

Te rio beija-flor
Te beijo meu amor
E curo cada dor
Com remédio de valor
Do meu jeito telelém...


MQ
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I FESTIVAL DE MARCHINHAS CARNAVALESCAS DO ESTADO DO PARÁ

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

COMANDANTE DO ANO - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo
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Comandante do Ano


Ensina puxar mandioca
Gengibirra ensina fazer
Cantar ladainha de santo
Marabaixo tocar pra valer

E pede abrir a porta
Para o luar entrar
Enfeitando cada casa
Antes de a aurora chegar

Ensina rezar penitente
Sozinho ajoelhado
Na pedra trazida da África
Que mói qualquer pecado

E pede muita licença
Para aprender e ensinar
O amor por cada santo
Que vieram aqui parar

Erê! Comandante do Ano
Quem aprende pra ensinar
Mora na casa da gente
Mesmo se ela mudar de lugar
Telelém... telelém... telelém...


MQ
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BIRATAN

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

PELO TEMPO DE QUALQUER SEGUNDO


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Pelo tempo de qualquer segundo


Uma plenitude triscou meu coração
Teu corpo falou todas as palavras
Algumas meu desejo traduziu
E entendeu a mágica dos gestos

Perplexo, declarei o momento.
Cada nota antiga se desenhou tua
Foi assim que toquei teu corpo
E o amei com meus olhos

Foi assim que, sorrateiramente,
Na sagração dos nossos pés descalços
Quis tê-la embriagando minha vida
Pelo tempo de qualquer segundo
Em que pudesses me pertencer
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MQ
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MANOEL DE BARROS

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Miudezas

Percorro todas as tardes um quarteirão de paredes nuas.
Nuas e sujas de idade e ventos.
Vejo muitos rascunhos de pernas de grilos pregados nas pedras.
As pedras, entretanto, são mais favoráveis a pernas de moscas do que de grilos.
Pequenos caracóis deixaram suas casas pregadas nestas pedras
E a suas lesmas saíram por aí à procura de outras paredes.
Asas misgalhadinhas de borboletas tingem de azul estas pedras.
Uma espécie de gosto por tais miudezas me paralisa.
Caminho todas as tardes por estes quarteirões desertos, é certo.
Mas nunca tenho certeza
Se estou percorrendo o quarteirão deserto
Ou algum deserto em mim

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domingo, 3 de janeiro de 2010

ARRAIOL - GESTOS DE CADA LUGAR

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Fotografia: Digo

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Arraiol


Erê! Banana trezentas
Escora pra agüentá
O peso de cada dúzia
Pesando pra despencá
Erê! Banana rabicha
Prata, Uçu, Amapá
Rabuda, urucuri
Gemendo o cacho dá

Telelém... Sigo vivendo
Aprendendo cada lugar
Arejando o caminho
Com o que vi e sei contar

Telelém... Se a maré é morta
Ou se ela está de lanço
É com o tamanho dos braços
Que escolho como avanço

Erê! Telelém... Telelém...

MQ
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VEM DO TEU OLHAR - UM LUGAR CHAMADO RONCADOR

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vem do teu olhar
(camilo delduque / sérgio souto / marcos quinan)



vem do teu olhar
o azul deste rio de paixão
que vou navegar
com a sorte perdida nas mãos
refazendo caminhos abertos
num azul que é tão longe e tão perto
algemando no remo a razão
recompondo o destino
tem no teu olhar
o brilho encantado da constelação
que não conta o rumo da margem
só aponta para a imensidão
meu coração revira o mar
que o destino atravessa
um pedaço de amor
naufragado na luz da ilusão
vem do teu olhar...


dina leia – voz
fernando merlino – piano elétrico
fernando carvalho – violão de 12
pedro amorim - bandolim

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sábado, 2 de janeiro de 2010

JAC. RIZZO - Ao vento...

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Escrever
o suficiente

Melhor
ser só reticente


Só suspirar
não falar


E enterrar a alma
no duro chão
do silêncio


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Jac. Rizzo - http://jacrizzo.blogspot.com/
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BIRATAN

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

GUIMARÃES ROSA

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“A vida é ingrata no macio de si; mas transtraz a esperança mesmo do meio do fel do desespero.”


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