sábado, 19 de junho de 2010

ENEU - COLHO CURA ( SERTÃO DO REINO)

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eneu
sérgio souto / joãozinho gomes / marcos quinan

alforriada enfim liberta
alma alada ao corpo empresta
suas asas amplas abertas
e uma casa feita de réstia

pra que ao sol ele resida
e voe nu sem trapo ou véstia
e viva corpo em carne viva
e deixe a pele pra moléstia

e assim à lepra ele resista
ao chão da úmida floresta
e adube o sonho de conquista
e que a conquista seja esta

a liberdade que se avista
em cada olhar em cada testa
em cada gesto antiescravista
de cada ser que a chaga empesta

que a santa casa imperialista
tanto o exclui quanto o nega
talvez por nojo ou ojeriza
de uma misericórdia cega

que só tem olho pro escravista
que em seu leito não enxerga
a lepra exposta feito crista
no corpo que jamais se verga

ser forjado na conquista
escalavrado pelas guerras
casca de alma lazarista
adubo-homem sobre a terra

há de ser humo na floresta
há de mudar os falsos rumos
há apagar toda essa cresta
há de centrar os novos prumos

voz e violão: sérgio souto
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