quarta-feira, 26 de abril de 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

Sensações

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Não queria saber de mais nada e não percebia que a ponta dos dedos começava a se achatar, as unhas entravam na carne.
Os olhos iam perdendo o eixo do movimento normal, a pele murchando. Na boca, os lábios se repuxavam para dentro; no nariz, a deformidade adquiria um tom avermelhado e o conjunto produzia mal-estar em quem visse.
Sentia o cheiro, a textura da pele, a maciez dos grandes lábios; o pensamento a tinha inteira nas sensações, amava e a queria. Amava e a tinha, amava e a perdia.
Sentia dor, muita dor; a ereção rasgava suas entranhas. Assim eram seus dias e noites; não conseguia esquecê-la, vivia das lembranças e nem tentava confinar sua loucura.
Parecia um jogo, uma execução que ele, o carrasco, determinava o delírio.
Esquizofrenia, lapsos de memória e muitas esquisitices viviam nele. Na verdade o que queria, no seu desvario, era se matar sem matá-la dentro de si.
 
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Rebelião


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Na memória continha o registro de todas as sensações; ao circular, espalhava o que absorvera nos sentidos, célula por célula.

Corpo e alma contidos no líquido viscoso e impregnados de lembranças, sentimentos e saudades transitando por todos os lugares, sustentando o ser imerso em sua intensidade.

Quando fizeram a transfusão, o sangue sintético que recebeu não tinha memória. Precisou ser tanto que as mais insignificantes partes do corpo foram se rebelando e deixando de funcionar aos poucos.

O coração, último rebelde, parou abraçado aos pequenos vestígios de sua alma desfeita no ar e levada pelo vento.

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Valsa Verso

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