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sábado, 5 de agosto de 2017

grito


.

é teu

o grito escondido

dentro da alma

e podes

lançá-lo no ar

 

pressuponho

ser de paixão

e ternura

se espalhando

 

pressuponho

ser de solidão

e procura

ecoando

 

é teu

o grito engasgado

na alma

e podes

lançá-lo no ar

é fácil

assim

feche os olhos

 

é como voar


 
.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Bendito Benedicto, poeta bendito

.
Ateu que sou.
Um dia acompanhei a procissão para viver seu poema.
E vivi.
Palavra a palavra, verso a verso e cada silêncio resignado no ar.
Cantei na melodia instigante que freqüenta cada estrofe.
E dancei na sensualidade do ritmo, argamassa milimetricamente assentando angústia e beleza.
Nesse dia, Benedicto Bendito. Senti fé, fúria e muita esperança.
Desde então, na corda do seu poema, minha alma se amarra e se liberta desesperadamente.
MQ

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Chapada do São Marcos

.

Chapada do São Marcos
bera do Ri do Braço
Vai Vem é afruente...
entre águas
entre rios
meio de cerrado
onde avoa codorna
e ispanto perdiz nos passo

na porta da casa
bambuzá parceiro de vento cantadô
na porta da casa tamém
um pau frondoso
que cumula sombra nos embaxo
as foia sôrta antes da frorada
e arcochoa a sombra
pr’eu deitá cum meu amô
se cai fror durmida
nóis panha e se prefuma
se cai diurna
nóis se farta de cheiro que nem beija-fror
teno tropa prá tocá
nóis vai no passo manso
mode num cansá animá
mode tê paga boa
corda cedo
dia sem raiá
móia os pé no sereno
prá animá incontrá
no pasto pequeno
nóis campeia eles
traiz, arreia e vai gado buscá
Istimosa, Paridera, Esperança, Lambari ...
às veiz nóis passa no vau
céu vermeio parino o sol
merenda já tá cherano
o corpo recrama sustança
nóis tira o leite
aparta o gado
e atende o corpo cum zelo
pur pricisão às veiz
nóis mata um capado já chei de ingorda
aí é festança
nóis sangra ele antes da lida do gado
mode as muié aprepará
a limpança, o discarne, o retaio
fazê a lingüiçada e as armôndega
se truveja nas cabicera do Braço
nóis fica preparado
água do ri vai lambê as berada
e favorecê a distoca
aí, é o imborná de paçoca
a cabaça d’água e o invergá do corpo no eito
nos ôi de inxada cumulado na vida
o atestado de labuta
coisa que os calo das mão
num faiz pur sê só dois
o da firmeza e o da repuxa
adipois da lida
no terrero, em vorta do lume
cum as istrela recamada no céu
a cheia fazeno crarão
os vaga-lume riscano o negror da noite
na guardança da terra
nos calo da mão
o cantadô recebe a viola
e na quietude
canta sua dismidida querença
ah Sertão do São Marcos
divisórias águas do Braço da minha vida
num achei a sabedoria de ficá
e me perdi nos caminho de vortá

.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

zaldivar

,
para otávio zaldivar arantes

 
na solidão

do sonho

o tijolo

a cena

implodiu

na rua
 

monólogo

perdido

de solidão

diálogo

esquecido

nos sonhos
 

tijolos

inacabados
 

cena

apagada

no espetáculo

de sonhar


.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Marabá

.

.
Foi martírio
Boca de mata
Cruzamentos
Chico das cobras
Água no peito
E o bochorno tonteando
As bordas do rumo
 
O olhar de nível
E o suscetível
Grudando no barro
E na fornalha
Dos peixes
Enchendo quintais
 
, era de ouro
foi dos cristais
Lugar tão mestiço
De águas e nichos
E muitas mulheres
De olhares mortiços
Desluzindo verdades
Por entre a calamidade
Juntando mortais
 
E no silvo do ouriço
O encardiço do corpo
Coberto de noites
Descobrindo no léu
Do pensamento
Um jeito sedento
De pensar amor
 
 
.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Apartório


.

.
Foi que misturei meu suor
Na solidão que me frequentava
Em todos os dias sonhei
E me vi em tamanhos
Vivificando lonjuras
 
Foi que aprendi a saudade
E garrear meu destino
 
A lindeira que dividia
O poeta do obreiro
Presenciou meus medos
E abafou as batidas
Do abandono na minha porta
 
Foi que construí o caminho
Com o que me sobrou no andar
E tudo que não sonhei, é verdade;
E o que mais sonhei
É o que hoje me reparte
 
.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Baia de Guajará – primeira travessia


.

Sensação de mundo
De imensidão
 
Os dias doíam
A água era o chão
 
O barro agarrava
Como saudade
E a noite sentia
A primeira verdade
 
O mais rústico
Pôs-se no olhar
O cansaço
Desejou se largar
 
Emoção de aldeia
Tantos sons no ar
 
Começar de novo
Renascer, sonhar
Engenhando a vida
No novo plantado
Lambendo as feridas
Do velho lembrado

.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Baia de Guajará – primeira travessia


.

Sensação de mundo

De imensidão

 

Os dias doíam

A água era o chão

 

O barro agarrava

Como saudade

E a noite sentia

A primeira verdade

 

O mais rústico

Pôs-se no olhar

O cansaço

Desejou se largar

 

Emoção de aldeia

Tantos sons no ar

 

Começar de novo

Renascer, sonhar

Engenhando a vida

No novo plantado

Lambendo as feridas

Do velho lembrado



.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

enlace

.

enlace

levezas se apalpando
misturando desejos
gestos acordando...
em desvendamentos


espaço da delicadeza
do arrebatamento
de gostos e cheiros
entremeados
confundindo
um corpo e outro

tirando de cada instante
a eternidade
para desmorrer
enquanto morrem

.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

reverdece...

.
 

uma alegria vence a sombra

e cede a claridade

libertada suavemente

criaturas se erguem

recomeçando os ciclos

 

reverdece...

 

o deperecimento

também é vida

floresce e se sustenta

narrando ardor e aflição

enquanto refaz suas formas

 

reverdece...

 

a natureza se dispõe

alentando esperanças

em cada passo do encanto

e da vitalidade das horas

 

reverdece...

 

vidas sussurram

desadormecendo

em nascimentos

nunca desistidos

 

e renascem silenciosamente...

 

 
.

sábado, 15 de outubro de 2016

Um passar de triz

.
Procuro verdade, umazinha
Qualquer uma
Seja na fotografia estampada
Nos maços de cigarro que fumo
Na segurança de andar amarrado no carro
Ou numa propaganda do governo
De qualquer governo

Procuro originalidade, umazinha qualquer
Na televisão que se copia indefinidamente
No cinema que só aprendeu engatinhar
Ou numa rádio, transformada em moeda política

Procuro nosso tamanho, só uma olhadinha
Nos jornais e revistas
Lá, impressos estão o de outros
Gente de diversos lugares
Significando o nosso

Procuro a fé, só um pouquinho
Nas igrejas e templos
Lá, estão protegidos pela ignorância
Os vendilhões da maior mentira do mundo

Então na intimidade da poesia
Descubro que verdade
Originalidade, fé
E nosso tamanho
É apenas um passar de triz
Diante do falso cultivado
Formidando para criar verdades


.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

insubmissa

. 
.
sou a mulher
que finda, ereta
e insubmissa,
a última etapa da vida

sou a mulher
que chora,
pelos cantos,
escondida,
o tempo que só
dentro de mim ficou

sou a mulher
que carrega no ventre
o fim latejando,
minha primeira gravidez
e meu derradeiro parto

sou a mulher
ereta e insubmissa,
que desde nascida
finda


.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

BIPOLÍTICARIDADE - Marco Antonio Quinan

....

O Brasil é um país imenso e rico
Onde o fio do telefone de lata, de brincadeira de criança
É feito de arame de circo
O que prejudica a comunicação e balança
Qualquer governança, pro povo propriamente dito.


O fato é feito cortina de fumaça
Onde qualquer um no embate rechaça
Sapateando entre Golpe e Direito
A arbitrariedade é sistema com defeito
Pra decidir que modelo passa.


Ninguém deveria ser adversário
Ainda mais dentro de casa, e digo
Qualquer que seja a decisão, não calha
Onde só sobrar pão e circo
Na mão desses canalhas.


.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Quilha da Ilha de Crôa


. 

Pesco sol

Pesco chuva

Sete cores

E ventos iguais

 

Pesco lua

Pesco filhos distantes

Pesco amores

Dores

E sete varais

 

Pesco o mar

E deixo o horizonte me pescar


>

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Alguma idéia sobre intuição - Marco Antonio Quinan

...

“Intuo tudo o que entôo
Não resido na prontidão
Não quero fabricar exatidão
De estética e forma coesa
Não pertenço à métrica
Mas existo na medida
É na liberdade de desconhecer
Que me lanço em vôo
Sem traçado, ou pontilhado
Guiado pela sensibilidade
Resvalo na criação
E entôo tudo que intuo”



(MAQ - 01/2012)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Jogo da vida

..

Em cada rodada

No jogo da vida

Sensatez é promessa

De quem quer ganhar

 

No imprevisto

De cada jogada

Ninguém banca a ordem

Que ela quer dar

 

De tudo que

A crença é forte

Mas tome cuidado

Quando ela blefar

 

No jogo da vida

Se perde e se ganha

Sem saber direito

Se é sorte ou azar

 
.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

prelúdio


.

- à amiga distante -

 

imagino-te em vestido solto

sentada numa poltrona

de meias grossas

e pés na janela

num fim de tarde frio

bebendo poesia e vinho

 

imagino na tua pele

tons de manhãs

e olhos orvalhados

em pertencimento

 

e um momento de fingido pudor

quando um verso

se aninha em teu colo

e uma gota de vinho

mancha o tecido

que te emoldura o ventre

 

falamos de nava...

te ouço em palavras

e canto poemas antigos

 - meus versos de procura -

carregando a angustia

 

imagino tua embriaguez

e também bebo saudade

nas palavras sem sujeição

que espalhas por veredas

- é tua alma na minha

em atos de amor e desejos

 

na esquina nova do mundo

a distancia da tua presença

toca com ternura minha emoção

para compartilhar palavras

e a intensidade dos poetas

transgressores, loucos sãos

 

ouço villa lobos

lembro ovalle

e sinto saudades...

quando entrego à amiga

por dito de gesto simples

esse um tipo de amor


.