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- à amiga distante
-
imagino-te em
vestido solto
sentada numa poltrona
de meias
grossas
e pés
na janela
num fim
de tarde frio
bebendo poesia
e vinho
imagino na tua pele
tons de manhãs
e olhos
orvalhados
em pertencimento
e um
momento de fingido pudor
quando um
verso
se aninha em
teu colo
e uma gota
de vinho
mancha o tecido
que te
emoldura o ventre
falamos de nava...
te ouço em
palavras
e canto
poemas antigos
- meus versos de procura
-
carregando a angustia
imagino tua embriaguez
e também
bebo saudade
nas palavras
sem sujeição
que espalhas por
veredas
- é tua alma
na minha –
em atos
de amor e desejos
na esquina
nova do mundo
a distancia da tua presença
toca com
ternura minha
emoção
para compartilhar
palavras
e a intensidade
dos poetas
transgressores, loucos
sãos
ouço villa lobos
lembro ovalle
e sinto saudades...
quando entrego à amiga
por dito
de gesto simples
esse um
tipo de amor
.