quinta-feira, 27 de abril de 2017

Entreatos

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No elenco, eram sete contratados para reproduzir suas vidas em cena.

Personagens: um manipulador, outro que usava a religião para seus logros. O egoísta que também era um covarde. A transgressora convicta que amava um poeta insignificante. Um que acreditava em seu passado e o usava como álibi pra tudo. Outro, mal dissimulava sua arrogância e se dizia muito feliz.

A última não sabia quem era; nua, dançava languidamente, queria somente ser desejada, fotografada e aplaudida.

Entre os atos, a cortina não se fechava, a marcação ficava apenas num piscar de luzes. Nos três minutos de intervalo, sem nenhuma caracterização, uma pessoa entrava no palco, mudava o cenário, limpava cada canto com um espanador, parecendo querer tirar qualquer vestígio de vida.

Era o único que estava representando.


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