segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Ninguém me Conhece: 36) A Amazônica Elegância de Enrico Di Miceli


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Fora uma ou outra premiação em festivais, a oportunidade em que me senti mais prestigiado como compositor foi quando viajei pra Macapá pra assistir ao show de lançamento do CD de Juliele (o nome do CD é o nome da cantora), cantora amapaense que gravou Com a Razão, uma parceria minha com Bárbara Rodrix. Detalhe: a passagem e a estada foram bancadas pela produção da moça (abro um parêntesis pra agradecer ao marido-produtor - ou seria produtor-marido? -, Carlos Lobato, grande figura!). Por conta disso, eu e Kana (e mais uma série de compositores responsáveis pelo repertório do disco, entre eles Rafael - e Rita - Alterio, Vicente Barreto, Carlos Henry, Celso Viáfora - também produtor musical do disco - etc.) passamos quase uma semana no mesmo hotel onde uma semana antes o então presidente Lula se hospedara. Além de provarmos uma infinidade de deliciosos peixes típicos da região, fizemos um inesquecível passeio de barco pelo Rio Amazonas, com direito a uísque, cerveja, música e visitas a alguns ribeirinhos em seu habitat. Ah, e o show foi ótimo, com a bela e afinada cantora Juliele acompanhada por uma superbanda. E ainda tive a alegria de presenciar a plateia cantando junto a letra de minha parceria com Barbarinha, que na época vinha sendo executada nas rádios locais.

Lá também visitamos o monumento Marco Zero do Equador, que sinaliza a passagem da Linha do Equador, que divide os dois hemisférios do globo. Há, inclusive, um estádio de futebol construído de forma a que a tal linha passa bem no centro dele, assim, quando num lado do campo é inverno, no outro é verão. Claro que a mudança de temperatura não se nota. Pra efeitos turísticos, a exemplo de Manaus, Macapá também tem sua zona franca, pra alegria das amantes de compras e sacoleiros em geral.

Nessa viagem, já no aeroporto fomos recepcionados por um grupo de pessoas que dançava e cantava o marabaixo (ritmo local) enquanto outros nos ofereciam uma bebida local, cujo nome esqueci. Lá, conheci muita gente boa (como o escritor, poeta, fotógrafo, blogueiro etc., Marcos Quinan) e me aproximei de pessoas que já conhecia, mas com quem não mantinha nenhum tipo de relação, como foi o caso de Vicente Barreto, de quem já era fã, mas com quem não tivera o prazer de prosear. Ali, à beira da piscina, vendo-o com seu usual charuto e ouvindo suas histórias, nasceu uma amizade que desaguaria numa bela parceria. Mas de Vicente falarei noutra ocasião, este texto trata de um moço que nos acolheu ali como se fôssemos de sua família, levou-nos pra cima e pra baixo e abriu-nos as portas de sua casa pra um senhor churrasco: Enrico Di Miceli, um engenheiro que faz canções. Ou seria um compositor que levanta edifícios? Não sei como são suas construções, mas sei que suas construções musicais são da mais fina engenharia.

O paraense Enrico (ele reveza seus dias entre sua cidade natal e Macapá) é daqueles a quem basta ver uma única vez pra considerar amigo de infância. E ele é um perfeito exemplo do que costumo dizer: as melhores parcerias são as nascidas da amizade. Vejam vocês que saí de lá arrebatado pela simpatia (e pela amazônica elegância) do moço. Tanto que, já em São Paulo, mesmo sem conhecer sua obra musical, enviei-lhe por e-mail uma letra. A conexão por aquelas largas bandas não sabe o que são bandas largas, por isso sua resposta demorou mais do que se tivesse vindo via correio. Contudo, a demora valeu a pena, pois a resposta chegou com a confirmação de uma grata parceria. E, a partir daí, outras vieram.
Uma delas, aliás, uma de minhas preferidas, chegou a meu conhecimento de inusitada maneira: A fotógrafa e produtora musical Drika Bourquim, que vira e mexe está por lá, certa vez entrou em contato comigo e me deu um link de um vídeo que ela havia gravado e postado no youtube. E não é que era nosso intrépido Di Miceli mostrando-me em primeira-mão nossa Piauí? Essa parceria merece até ter sua história contada. Naquela época, algumas relevantes celebridades acharam por bem demonstrar publicamente seu "cansaço" e denominaram o movimento "cansei". Alguns empresários aderiram, entre eles um dono de famosa marca de TV. E justamente este senhor, ao dar espirituosa entrevista, fez uma ousada comparação entre São Paulo e o Estado do Piauí, chegando ao extremo de afirmar que se o nobre Estado nordestino sumisse do mapa ninguém iria dar por sua falta. Tocado por tão afirmativo movimento, num país de trabalhadores ociosos, resolvi homenageá-los com uma espécie de jingle, cujo nome, obviamente, não poderia ser outro: Piauí. O que eu não sabia era que a tal letra, tendo sido recusada por mais de um parceiro, acabaria caindo nas graças justamente de Enrico, que lhe fez uma bela canção, digna do movimento que a inspirou. Posto-a:

Embaixo da ponte tem gente/ Em cima da ponte tem carro/ Tem, dentro do carro, fumante/ Dentro do bueiro, cigarro/ No trem do subúrbio, lotado/ Um bando em pé… e cansado. Na frente do prédio tem shopping/ Atrás desse prédio, barraco/ Embaixo do shopping tem parking/ Tem obra que abre buraco/ E pobre que é soterrado/ Um bando que morre cansado./ Tem gente cansada por aí/ Querendo apagar o Piauí./ Tem gente que olha pro umbigo/ Cansada, de barriga cheia/ Não vê o olhar do mendigo/ Não vê o menor, quando cheira/ E aquele, no carro blindado/ Com vidro fumê… tá cansado./ Tem alvo pra bala perdida/ Doméstica fazendo bico/ Tem santa que entra pra vida/ Banqueiro ficando mais rico/ A sola de um pé sem calçado/ É que sabe o que é estar cansado./ Tem gente cansada por aí/ Querendo apagar o Piauí.

A mesma Drika supracitada produziu o Amapá em Cantos, série de shows com artistas que residem no Amapá, que ocorreu há algum tempo no Sesc Ipiranga. E entre os contemplados estava meu parceiro paraense. Claro que fui vê-lo e tive o prazer de constatar o que eu já supunha: o camarada, além de ser de uma elegância só no palco, possuir uma voz de timbre agradabilíssimo, ainda tem um repertório de responsa! Após o show ele me contou que estava em vias de finalmente gravar seu primeiro CD. Passaram os meses, a vida prosseguiu, até que muito tempo depois chegou a minhas mãos o excelente Amazônica Elegância, feito inteiramente em parceria com Joãozinho Gomes, uma espécie de Vinicius de Moraes amapaense, parceiro de muita gente boa, inclusive Zeca Baleiro. E Joãozinho mostra também no disco uma faceta menos conhecida sua: a de cantor, pois divide os vocais com Di Miceli. Claro que uma pontinha de ciúme talvez tenha atrapalhado a audição primeira, mas o tempo levou o ciúme, e o que ficou foi apenas a força desse trabalho da maior relevância, um dos CDs mais belos que ouvi nos últimos anos, daqueles que melhoram a cada nova audição. Quanto a mim e a nossa parceria, digo apenas que tudo tem seu tempo. E saber esperar é uma virtude... Pra quem não está cansado, por supuesto.
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Ouça um pouco da amazônica elegância de Di Miceli aqui: http://clubecaiubi.ning.com/profile/OXdoPoema

Por Léo Nogueira
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A LIBERDADE DA BELEZA - MQ

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

sábado, 26 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

RUI GODINHO - ENTÃO, FOI ASSIM?

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VERGONHA

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RUY GODINHO - RODA DE CHORO

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RODA DE CHORO – SÁBADO – DIA 26.02.11

O destaque do 1º bloco vai ser a Coleção Choro Carioca - Música do Brasil, caixa com 9 CDs e um libreto, contendo 132 obras, de 74 compositores nascidos até 1905, que muito contribuíram para a consolidação do gênero. Os autores enfocados serão: Agenor Bens, nascido na cidade de Cordeiro-RJ e que se tornou um dos mais importantes flautistas de sua época; e o flautista carioca Moreira de Assis, que viveu na segunda metade do século XIX e pertenceu à primeira geração de chorões.


No 2º e 3º blocos, o destaque vai para o CD Remexendo, do duo violonístico Euclides Marques e Luizinho Sete Cordas, lançado no ano de 2006, pelo selo Kuarup.


Na seqüência, a presença de um duo no mínimo inusitado: Jotagê Alves (clarinete) e Magali Géara (voz) e o som do CD Mumbaba, lançado em 1998 pelo selo CPC-Umes. No 4º bloco Magali desfila os Choros cantados. E no 5º bloco é a vez da performance de Jotagê, nos solos de clarinete.

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Ouça pela internet:

Rádio Câmara, Brasília: www.radio.camara.gov.br (rádio ao vivo), sábados, 12h.

Rádio UEL FM, Londrina-PR, quintas-feiras, 21h


Produção e Apresentação: Ruy Godinho
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

MARCELO QUINAN

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"Fotografar é escrever com os olhos"



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ROLANDO BOLDRIN - SR BRASIL

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A LIBERDADE DA BELEZA - MQ


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

BANDURRA-EH - WALTER FREITAS - BELÉM

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RUY GODINHO - ENTÃO, FOI ASSIM?

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BASTANTE
(Zé Luiz Mazziotti/Sérgio Natureza)

Não havia nada além da réstia de sol
Noite apagada e a madrugada ao redor
Mas a luz que anunciava
A manhã alaranjada
Já bastava pra eu te enxergar melhor
Não havia nada
Além da flor no lençol
Rosa amassada pelo corpo e o cobertor
Mas a luz que se infiltrava
Pelas frestas da vidraça
Já bastava pra eu te decorar melhor
E eu te retoquei com as tintas da emoção
Num estilo que eu criei, nem sei
Com o coração
Foi aí que eu descobri que ali
Na mesma cama em que eu dormi
Dormindo e ainda sonhando estava o amor
Não havia nada além da réstia de sol
Noite acordada
Uma balada em tom maior
Mas a luz que irradiava
Tua estampa ali deitada
Já bastava pra eu saber te amar melhor
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Então, foi assim...
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Zé Luiz Mazziotti1, uma das vozes masculinas mais bonitas do Brasil – e um dos intérpretes mais requisitados – quando chega ao final de seus shows, depois de haver cantado 17, 18 músicas, uma hora e meia com aquele vozeirão, a platéia impiedosamente exige em coro: “Canta bastante, canta bastante...” Ele, amorosa e invariavelmente, sempre atende. Canta mais uma, o público aplaude calorosamente e sai satisfeito, renovado de emoções.

Para quem está indo pela primeira vez assistir a um show de Zé Luiz e não conhece suas músicas, isso é muito esquisito. O público pede ‘bastante’, e ele canta apenas uma e todos saem felizes.

É que Bastante é o nome de sua música mais bonita, provavelmente a de maior importância na carreira de compositor e intérprete.

Mazziotti conta que fez Bastante em 1978, quando tinha 30 anos de idade, em homenagem a uma pessoa muito especial na vida dele, a tia Mariinha. “Ela é a irmã mais velha e madrinha de batismo da mamãe. E a mamãe sempre a chamou de senhora, apesar da pouca diferença de idade. Tia Mariinha não teve filhos. E desde que nasci ela tem uma relação de carinho especial comigo, como se eu fosse filho dela. Era aquela tia que dava dinheirinho quando eu ia passar férias na casa dela e todas as férias eu queria ir para Marília (SP) para ficar com ela. O meu sonho era, depois de trabalhar o ano inteiro, passar 20 dias de férias, eu, meu pai, minha mãe e a tia Mariinha. A gente ia para o sítio do meu tio, em Campos Novos Paulista. A gente escolhia uma época que não ia ninguém pra lá e íamos nós quatro. Eu levava sempre o violão e numa dessas vezes, ela estava meio doentinha, eu pensei: ‘Tenho que fazer uma música pra tia Mariinha, que é o que eu sei fazer. Uma música pensando nesse amor que eu tenho por ela, nesse carinho, porque ela é uma pessoa realmente especial pra toda a família’. Ela parecia uma santa com aquela pureza, muito inteligente, muito perspicaz, que brincava muito comigo, falava umas bobagenzinhas, mas era amor puro... Nessa noite eu fiquei na varanda da casa, que era bem roça, não tinha nada. Aí eu peguei o violão e saiu essa melodia do Bastante. E fiquei repetindo até não ter a possibilidade de esquecer.”2

O paulista Zé Luiz, que morava no Rio de Janeiro na época, ao retornar das férias procurou pelo parceiro Sérgio Natureza3, para que ele pusesse uma letra na melodia. “Nem contei nada pra ele ou talvez tenha contado sobre a Tia Mariinha. E ele, com a melodia, criou essa letra que fala de réstia de Sol... Pra mim é muito linda, fala de uma pessoa que é amor puro.”

Bastante foi gravada duas vezes por Zé Luiz Mazziotti: em 1979, no LP Zé Luiz com arranjo do Dori Caymmi, lançado pela Continental; e em 1995, no CD Zé Luiz Mazziotti, lançado pela Perfil Musical, após seu retorno de Paris (França), onde morou durante 10 anos, esta com arranjo de guitarra de Marcus Teixeira. A cantora Rosa Maria também a gravou, em 1984, no CD Cristal, lançado pela Pointer. A parceria com Natureza rendeu outros frutos: Amor de Ofício, Pelo Menos e Sinais.

Zé Luiz conta ainda que é comum alguns músicos solicitarem a cifra de Bastante por e-mail ou pelo Orkut, alegando que querem aprender porque os clientes dos bares pedem, principalmente músicos do Rio, São Paulo e Brasília. “É a música mais especial que eu tenho na minha vida. Inclusive nos shows as pessoas pedem bis, eu canto e elas cantam comigo.”

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1 José Luiz Mazziotti 11/10/1948 Rio Claro-SP.
2 Entrevista concedida ao autor, em janeiro de 2007, em Brasília.
3 Sérgio Roberto Ferreira Varela 13/01/1947 Rio de Janeiro-RJ



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Ruy Godinho
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A LIBERDADE DA BELEZA - MQ


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Ninguém me Conhece: 34) Tavito, Cantando as Canções que a Gente Quer Ouvir

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Dorival Caymmi disse certa vez numa entrevista que seu maior sonho como compositor era conseguir criar uma canção que ficasse tão enraizada no inconsciente coletivo a ponto mesmo de se tornar desvinculada de seu autor. Algo como "batatinha quando nasce". Tavito conseguiu essa façanha. Não há quem não cante de cabo a rabo Rua Ramalhete, assim como quase todo mundo, em algum momento de sua vida, já se reconheceu nos versos de Casa no Campo. E pouquíssimas pessoas sabem quem são os criadores dessas pérolas. Tem quem ache até que Casa no Campo é de Elis Regina (pasmem!).

Lembro que certa noite cheguei a me emocionar bastante ao assistir, no Barnaldo Lucrécia, a uma apresentação de Élio Camalle, quando este começou a cantar Rua Ramalhete e notei que o bar inteiro cantava junto (alguns gritavam). E o mais curioso foi que a galerinha, com uma ou outra exceção, não chegava à casa dos 30. Ou seja, nem era nascida quando a canção estourava nas rádios. Por essas e outras reconheço em Tavito uma imensa gratidão deste pra com a grandeza de sua obra, sabedor que é do que seu parceiro em Casa no Campo, Zé Rodrix, costumava dizer: "O que importa são as canções". Assim, quando Tavito canta pela enésima vez "será que algum dia eles vêm aí cantar as canções que a gente quer ouvir?", o faz sempre com uma renovada emoção.

Tavito é, mais que um homem grande, um grande homem. Suas palavras são de uma doce sabedoria, sua humildade é exemplar, seu abraço é caloroso e sincero. E, como artista, é gigante! Melodista como poucos; excepcional violonista; arranjador inspirado (e requisitado); dono de uma voz que, se não é grande, é bela e original; e, de quebra, possui uma pena que o torna escriba dos mais deliciosamente palatáveis. Quem nunca leu um de seus maravilhosos textos não sabe o que perdeu. Saber que atualmente há poucos artistas (e cidadãos) com tais qualidades o torna ainda mais especial.

Quando eu era (mais) jovem, sonhava em ver de perto meus ídolos, poder trocar com eles algumas palavras e dizer de minha admiração. Com o tempo (e algumas frustrações) fui mudando, cheguei mesmo a evitar o contato direto com eles, pra continuar mantendo deles a bela imagem que trago em mim. Imaginem vocês então qual não foi minha surpresa ao ser apresentado a Tavito, receber o primeiro de seus muitos e fortes abraços e ainda por cima ouvir de sua boca: "Léo Nogueira, sou seu fã!". A coisa toda foi assim: Tavito, nessa época, morava no Rio. Daí que, quando fazia shows, costumava contar com o luxuoso auxílio da voz de Clarisse Grova a serviço de sua música. Ora, pois, Clarisse já era minha parceira e vez em quando lhe mostrava nossas crias. Assim, naquela noite, em que ela levou a mim e a Kana ao bar Panorama e apresentou-nos o homem do Começo, Meio e Fim, este já conhecia relevante parcela de meu trabalho. Ah, na mesma noite conhecemos algumas outras pessoas encantadoras, entre elas, a aniversariante da noite, a bela cantora Marianna Leporace.

De volta a São Paulo, arrisquei mandar-lhe uma letra. Quando, pouco tempo depois, recebi um e-mail seu com a gravação de nossa primeira filha, Ponto Facultativo, anexa, não tive como conter as lágrimas. Passado mais algum tempo, Zé Rodrix convenceu-o a mudar-se pra Sampa; então, tendo-o sempre perto, outras canções dessa parceria vieram ao mundo. No mais, era (é) um luxo tê-lo ali quase todas as semanas no palco (e nas mesas) do Caiubi. Acho que os novos (embora poluídos) ares daqui lhe fizeram bem, pois, depois de algumas décadas sem gravar nenhum disco pra chamar de seu, finalmente concebeu o exuberante Tudo. Pra minha tristeza, sem nenhuma das nossas. Não tem jeito, cada vez que um parceiro lança um novo disco sem ao menos uma parceria comigo, é a mesma dor. Foi assim com Camalle, Cavallieri, assim foi com Tavito. É uma atitude minha de reconhecida infantilidade, mas que até agora não consegui superar. Contudo, como o mundo não gira ao redor de meu umbigo, mesmo sem minha contribuição esses discos costumam ser bons. Com Tudo não foi diferente. Pensando nisso, resolvi terminar este relato com texto que escrevi, com as tintas da dor, acerca do supracitado disco, em 04/12/2009:

TUDO

A parte mais humana que trago em mim é a inveja. Ainda bem que é justamente ela quem me motiva a compor. Mas a inveja, acima da composição, é (obviamente) invejosa. Há alguns poucos anos, Fernando Cavallieri lançou seu CD Inefável, que já foi lin-da-men-te "execrado/exaltado" por mim. O CD é, realmente, inefável. Porém, na minha memória de invejoso, o que mais me chama a atenção até hoje, além das canções, que são um primor, é uma página na qual muitas fotos recortadas em estrelas aparecem... Todos estão lá... Menos eu. Cava, com a generosidade dos culpados, me presenteou o disco, que ouvi um milhão de vezes, como quem morre, fosse eu um Bandeira... Mas eu era só um Manuel...

Os anos se passaram, e esse nocaute, que pensei que jamais seria superado, o foi. O nocaute da vez chama-se, cruelmente, Tudo!!! TU-DO! E, se eu não fazia parte do inefável, novamente não estou dentro do tudo (onde tudo/nada cabe)... Soube que eu não estava dentro dele há um ano e meio, quando Tavito, generosamente, e sempre bem acompanhado por Celina, viajou a Campinas pra gravar sua participação no CD da Kana, levando a tiracolo a master do disco. A gravação foi ótima, mas não posso deixar de confessar que me senti um, digamos, NA-DA. Esse mais-que-homem, MONSTRO, que durante um milhão de anos não gravava disco (e que nesse meio tempo se tornara meu parceiro), finalmente dava a cara a tapa... E lá não estava eu... Nem em cara, nem em tapa (nem em coroa).

O tempo passou, e meu lado invejoso não me deixou apreciar esse acontecimento histórico... SIM! Eu disse: "ACONTECIMENTO HISTÓRICO!". O lançamento de um CD de um ícone de nossa música que havia tempos não enveredava por caminhos discográficos só pode ser considerado um "acontecimento histórico"!

Mas o fato é que eu, sentindo-me um parceiro da turma daqueles "outros rampeiros que se esborracharam no trajeto e mudaram de superfície, vítimas [...] de sua própria geração" (parece frase do Sonekka), acabei nunca tendo coragem de adquirir o disco, já malhado pelo inefáfel Inefável...

Mas o fato (olha a repetição, escritor!) é que aniversários são sempre momento de introspecção e avaliação; e não é que me vi numa loja de discos, às vésperas do meu, resolvendo justamente me dar de presente o malfadado/benfazejo TUDO?

A parte mais humana que trago em mim é a inveja (já havia dito no parágrafo inicial), mas a maior qualidade é o masoquismo. E não é que faz dias que não consigo ouvir nada além de Tudo? Ouço 1969 com a reverência e a admiração de quem nasceu em 1971; O Dia Em Que Nasceu Nosso Amor lembrando quando conheci Tavito no Panorama, apresentado pela Grova; Embora, como quem sabe que está ouvindo um novo clássico de nossa música; Uma Banda Em Sampa sabendo de cada esquina relatada na canção; O Primeiro Sinal, como se fosse a última chance; Gostosa, como quem está ouvindo falar de sua própria namorada; Tudo, vindo do inferno, com um olhar, se não furta-cor (esse Alexandre é freud!), ao menos cor-de-burro-quando-foge; Aquele Beijo (esse Azambuja é freud!) me lembrou de quando fui ao Titanic (o filme, claro) e roubei o primeiro (e definitivo) beijo à Kana; A Grande Sorte me fez pensar: será que eu sou a noite enquanto você é o dia?; e aí me passou todo Um Certo Filme, desde antes de Erasmo dizer à mãe que não era mais menino, passando por Humberto, que dizia à mãe que tinha uma guitarra elétrica e que durante muito tempo isso era tudo o que ele queria ter tido (mas hoje o mundo todo é uma ilha)...

Mas aí chegaram As Meninas... E, mais que lembrar as meninas que cada um de nós teve, veio novamente a inveja de não ter sido eu o único caiubista contemplado no disco...

Hoje Ainda É Dia de Rock é um capítulo à parte no disco, não só pela excelência da canção (rock baião?), mas pela simbologia de ser rodrigueana. Minas de Encanto é 100% Tavito, mais puro que um puro cubano. Dizer mais o quê? Dizer Rua Ramalhete? Esta é uma canção que a maioria de nós, invejosos, daria um não-sei-quê pra ter composto.

E cá estou eu, dias depois, embebido desse disco. Mais triste que quando ouvi o Inefável, e ao mesmo tempo tão feliz, tão feliz! Feliz por saber que ainda tem gente cantando as canções que a gente quer ouvir. E que eles estão tão próximos (embora tão distantes). Tavito, Guilherme Rondon, Affonso Moraes, Vicente Barreto, Bárbara Rodrix, Élio Camalle (só pra ficar nos mais recentes)... Só esses últimos que enumerei valeriam páginas e mais páginas dos jornais (vivêssesmos em um país sério preocupado com a arte relevante e revelante...).

Mas a única verdade é que sou um invejoso, e que minha cidade não tem mar, mas eu tenho o mar, sim! No cais de um porto (mineiro) onde fui me afogar!

E, como não sou jornalista, tenho a cara-de-pau de ir contra nossa querida LHC, quando diz: "Se beber, não escreva. E nem leia!" Hic!

Mãe e pai, hoje ainda é dia de Tavito!

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Ouça algumas das canções de Tavito que a gente quer ouvir aqui:

Tavito também (graças a Deus) está no Caiubi: http://clubecaiubi.ning.com/profile/Tavito

Por Léo Nogueira
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

RUY GODINHO - ENTÃO, FOI ASSIM?

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TEATRO 24 HORAS NO AR - BELÉM

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RUY GODINHO - RODA DE CHORO

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RODA DE CHORO – SÁBADO – DIA 19.02.11

O destaque do 1º bloco vai ser a Coleção Choro Carioca - Música do Brasil, caixa com 9 CDs e um libreto, contendo 132 obras, de 74 compositores nascidos até 1905, que muito contribuíram para a consolidação do gênero. O autor enfocado é o mineiro Alfredinho Flautim, nascido em 1884, que integrou o grupo da Velha Guarda, ao lado de Pixinguinha, João da Bahiana e Donga.


No 2º bloco, o destaque vai ser o jovem violonista pernambucano Fernando Caneca e o som primoroso do CD Fernando Caneca Visitando Canhoto da Paraíba, lançado no ano de 2004.


No 3º bloco a presença do grupo paulistano Nosso Choro e as músicas do CD homônimo, lançado em 1997, pelo selo CPC Umes.


No 4º bloco, Luiz Melodia revisita o programa com os sambas-choro do CD Estação Melodia, mais recente álbum dele, lançado em 2007, pelo selo Biscoito Fino.


No 5º bloco, os choros e frevos do SA GRAMA, grupo pernambucano formado com instrumentos acústicos que buscam o máximo de efeitos sonoros, numa fusão de sopros, cordas dedilhadas e percussão.


Ouça pela internet:


Rádio Câmara, Brasília: www.radio.camara.gov.br (rádio ao vivo), sábados, 12h.


Rádio UEL FM, Londrina-PR, quintas-feiras, 21h;


Rádio Utopia-FM, de Planaltina-DF, quartas-feiras, 18h.



Produção e Apresentação: Ruy Godinho

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Ninguém me Conhece: 33) As Boas Ações de Ricardo Moreira

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Se a alma de Ricardo Moreira (quando este vier a morrer – toc toc toc, bate na madeira!) não se salvar, o céu vai perder pro inferno por W.O., pode escrever aí. Vai fechar por falta de clientes. Pense num cabra do bem. Mas eu tô falando do bem MESMO. Não como esse bem atual, politicamente correto, do qual só faz parte gente interesseira, falo do bem anterior aos holofotes, o bem puro, natural, inerente à pessoa. Moreirinha é tão do bem, que até seu lado mau deve ser bom. Fosse ele um ladrão, seria Robin Hood.
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Mas este texto não se propõe a ser uma carta de referência pra futuros empregos, mesmo porque, ao que me consta, ele vai muito bem, obrigado, na função de professor (aliás, como eu, é letrista profissional - formado em letras). Apenas achei interessante frisar mais essa qualidade, visto que no meio musical nem sempre talento rima com caráter. E o moço acima possui ambas características. Contudo, comecemos pelo começo. Conheço Ricardo Moreira há tantos anos, que nem me lembro ao certo quando o vi pela primeira vez. Ele, organizado que é, deve sabê-lo. Creio que nos conhecemos por meio da RSMB (veja texto sobre Adolar Marin... Acho que já escrevi isso antes...). Lembro-me de que, na época, ele fazia parte de uma banda chamada Salada Mística. Contou-me ele que a origem do nome surgiu de um fato pitoresco. Antes de contar o fato, devo acrescentar que Moreira é praticamente um trocadilho ambulante. É daqueles que perdem o amigo, mas não perdem o trocadilho. Presenteou-me, certa vez, um livreto de poemas/letras, xerocado e encadernado, cujo nome era, se não me engano, Em Vértices, os Papéis. Sacaram? "invertem-se os papéis". Pois é. Voltando ao chiste: Moreira me contou que, quando trabalhava na Ford (ou seria na Volks? Na Chevrolet?), em São Bernardo - cidade onde nasceu e onde vive até hoje -, um funcionário, desses bem humildes (não sei por que chamam aos pouco escolados de humildes, conheço alguns que de humildes não têm nada), foi pedir uma salada mista e soltou a pérola: "Me vê uma salada mística". Moreirinha, com o germe da criatividade ativo, guardou a frase, sabendo que no futuro poderia vir a aproveitá-la. Quando montou sua banda, entre tantos possíveis nomes, este foi o que se sobressaiu. E acho que resume mesmo a banda.
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Trocamos CDs (eu lhe entreguei o primeiro da Kana) e também uma série de e-mails, nos quais discutíamos os aspectos positivos e negativos que encontráramos na obra do outro. Pelo que me lembro, devo ter sido, digamos, excessivamente rigoroso com seu CD, aliás, da Salada Mística, Batom no Colarinho. Afinal, quando me pedem pra escrever a respeito de um CD, sinto-me confortável na função de pedra (já na de vidraça...). Ele já se mostrou mais benevolente comigo. Pouco tempo atrás, inclusive, resgatou alguns daqueles e-mails, alguns dos quais escritos no Japão, quando de minha primeira viagem à terra do sol nascente. Relendo-os, acometeu-me certa vergonha, pela petulância das palavras por mim escritas. O fato é que talvez eu quisesse dizer que ele, embora estivesse verde, era um bom compositor, e a tendência era, naturalmente, evoluir. O que minha condição de crítico de obra alheia não me fazia enxergar era que eu também (talvez mais que ele) me encontrava nessa fase verde (atenção, não estou falando de política, certo?), o que foi detectado na época por meu primeiro parceiro, Élio Camalle.
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Como disse, Ricardo Moreira é de São Bernardo, mas seu sotaque acaipirado parece vir de muito mais longe, e vejam vocês que a manutenção de tal sotaque até hoje também é fator relevante acerca de sua personalidade humilde (acho mesmo um fator excessivo). Tanta humildade esconde um cara que é até boa pinta, mas que acaba parecendo inofensivo. Mas pode ser também um método desenvolvido pra evitar cenas de ciúmes da patroa. Afinal, de perto ninguém é tão inofensivo assim. E o artista tem que se precaver. Mas o fato é que sucedeu que a banda Salada Mística teve vida curta. Parece-me, puxando pela memória, que seus demais membros não apostavam lá muitas fichas na carreira artística, de modo que Moreirinha, sem a salada, ficou só com a mística. O problema era que, na banda, ele era o baterista-compositor (às vezes, gaitista), agora, só, tinha que fazer as vezes também de cantor/violonista, no intuito de mostrar sua cara/obra. E, digamos que, nessa nova função, ele não se via tão confortável. Mas aí veio o Caiubi, ou melhor, Moreira foi ao Caiubi. E, lá, o que não lhe faltou foi parceiro. Assim, ele desenvolveu acima das outras sua faceta de letrista.
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Um de seus mais ardorosos fãs é ninguém menos que Fernando Cavallieri. Ah, agora me lembrei, foi Cava quem nos apresentou e quem primeiro me falou do moço da gaita. Falava de forma tão apaixonada, que eu ficava até com ciúmes. Chegou mesmo, certa feita, a compará-lo (o que achei exagerado na época) a Chico Buarque. E foi justamente Cava quem registrou em CD uma das mais belas canções de Moreira, Nostalgia. Mas a bateria o chamava sempre de volta (refiro-me ao Moreira), e foi como baterista (e compositor) que ele participou dos saudosos Tropeçalistas, grupo que contava com nomes como Zé Rodrix, Vlado Lima, Ricardo Soares e Sonekka. Vi alguns shows memoráveis do grupo. O engraçado era que, apesar de ser uma banda de solistas, as apresentações eram ótimas. Era meio como ver jogar um time só com camisas 10. Depois veio o Tonq (Tosqueira ou Não Queira), este, um tanto mais debochado. Não à toa um de seus líderes era (é? Me parece que a banda está na ativa ainda, diz aí, Ayrton!) Ayrton Mugnaini, ex-Língua de Trapo.
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Recentemente Moreira enveredou pela arte dos clipes caseiros. E não é que o moço leva jeito? Tem uns que parecem ter sido feitos por profissionais (ai!). De quebra, é mais uma ferramenta pra divulgar suas tantas canções. Vão no youtube e procurem por "Ricardo Moreira". Vão achar muita coisa boa lá. Parece que ele até está cantando melhor. Minhas ressalvas em relação a suas canções, quando de nossas trocas de e-cartas, dirigiam-se mais a suas melodias. Moreira vem da escola do blues, e às vezes eu ficava pensando que a melodia não estava à altura da letra. No Caiubi ele teve a felicidade de compor com craques como Sonekka e Cavallieri, entre outros, e tal parceria lhe fez bem, pois hoje em dia ele tem criado melodias muito inspiradas também. Acho que a maior lacuna em sua arte de letrista consiste em não se atrever a letrar melodias. Moreira cresceu com a geração dos melodistas que musicam letras, daí não desenvolveu esse outro exercício, bem diverso, que é o de letrar melodias. Já lhe disse que o mais difícil é se atrever. Perdem-se algumas no percurso (lembram-se da frase manjada "não se pode fazer uma omelete sem que se quebrem alguns ovos"?), mas, depois de pegar a mão, a coisa flui. Zé Edu que o diga, com suas belas canções com Gulherme Rondon, por exemplo. Mas, cada um na sua. Acho que pedir pra Ricardo Moreira letrar uma melodia é meio como pedir pra Ricardo Soares compor uma bossa nova. Como diz o clássico, cada um no seu quadrado. Assim a canção desce redonda. Ai!
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Mas Ricardo Moreira tem também muito desenvolvido seu lado "professor Pardal". Sobram-lhe ideias. O que lhe falta é grana pra fazê-las sair do papel. De tempos em tempos aparece ele com uma recém-nascida (ideia). Não faz nem duas semanas, ele escreveu pra mim e pra mais uma turma de compositores, expondo-nos uma nova ideia genial. Em princípio, todas parecem muito boas. Depois, os e-mails vão rareando, até que o moço sai de circulação por um tempo, até, qual fênix, ressurgir das cinzas com uma outra revolucionária. O cabra é tão bom no quesito, que, dizem as (boas) línguas, foi convocado por
Sonekka e Alexandre Lemos a encabeçar (cabecear?) uma gravadora (Sonarts) que estes estão concebendo, que irá abalar o mercado (mercado?). Tô botando fé nessa ideia atual. Será que é dessa vez, Moreirinha?

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Ouça algumas das boas ações de Moreirinha aqui

http://clubecaiubi.ning.com/profile/OXdoPoema

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Leia as letras aqui

http://clubecaiubi.ning.com/profiles/blogs/ricardo-moreira

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Moreirinha também está no Caiubi

http://clubecaiubi.ning.com/profile/RicardoSMoreira

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Por Léo Nogueira

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

TIBÉRIO GASPAR - BRASÍLIA

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RUY GODINHO - RODA DE CHORO

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RODA DE CHORO – SÁBADO – DIA 12.02.11



O destaque do 1º bloco vai ser a Coleção Choro Carioca - Música do Brasil. O autor enfocado é o compositor e violonista cego Levino da Conceição nascido em Cuiabá-MT, em 1895. Foi professor de Dilermando Reis e, nos anos de 1950, dirigiu cursos no Instituto Benjamim Constant.


No 2º bloco o destaque é o Mestre Catiá, virtuose na interpretação de violão solo e compositor caprichoso, que faz parte do primeiro time de chorões paraenses da primeira metade do século passado.


No 3º bloco teremos o grupo Gente Fina & Outras Coisas, formado por Fernando Coelho (violão), Bebeto Castilho (baixo), Ronaldo do Bandolim (bandolim), Zé Carlos Bigorna (sax/flauta) e Jovi Joviniano (percussão) e o som do CD homônimo.


No 4º bloco, teremos o violonista, cantor e compositor cearense João Marinho, integrante da nova geração que está oxigenando o cancioneiro popular. Destaque para Valsa em Si (c/ Hamilton de Holanda) e Serenata, duas pérolas do CD homônimo.


No 5º bloco, João Juvanklin, de Natal-RN, excelente compositor e exímio bandolinista, que faz parte de um segmento que vive à margem da mídia dita comercial, sem chances de comprar o sucesso quantitativo, embora reconhecido pela qualidade.



Ouça pela internet:


Rádio Câmara, Brasília: www.radio.camara.gov.br (rádio ao vivo), sábados, 12h.


Rádio Universidade FM, Londrina-PR, quintas-feiras, 22h.

Rádio Utopia FM, Planaltina-DF, quintas-feiras, 18h.


Produção e Apresentação: Ruy Godinho

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

ROLANDO BOLDRIN - SR BRASIL

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DEMOCRACIA? LIBERDADE? NÃO! VERGONHA

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Ser


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Não entrego ao amor o tanto que vivi
Redimido dou o que construo todos os dias
Sem o martírio harmonizando meus medos

Meu corpo e minha alma já se envenenaram
Por muitos caminhos vivendo da carne pura
De mulheres tremulando o vazio na minha face

Um tempo em que não era só o riso
Que embriagava minha boca e a tristeza
Andava bêbada junto ao meu silêncio

Hoje sou ser em guerra perseguido
Pelo que desfiz e lutando com as armas
Da emoção para me recriar diariamente

Desesperado, mas consolável, um ser só...
Que conhece os beijos mortos das mulheres
E o fraco da própria voz perdida tantas vezes

Muitos rumos possuíram minha alma
Andando em vão fui fraco ao me desperceber
E sem forças quando gritava de solidão

Nada sabia, mas entendia a angústia
Gemendo seus murmúrios para gerar o sentimento
Enquanto a sedução mentia à luxúria

A volúpia dos sentidos aprendeu
Quando primeiro o amor andou no meu coração
E entendi a emoção da liberdade
No semblante da carne

Hoje não disfarço a limpidez que me resta
Para viver com clareza o que sou
Um aprendiz do humano morando
Insistentemente dentro do ser


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MQ
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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ANA TERRA

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Direito autoral: sejamos
modernos, mas não otários
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Por Ana Terra, do Rio de Janeiro


Dizer que o autor impede a democratização do conhecimento ou que a internet é gratuita e por isso todos têm direito ao seu conteúdo gratuitamente é mentira.

A cultura tem como função nos humanizar, entrando em acordo com a nossa natureza animal que, sem a razão, pouco nos diferencia das feras. E sua primeira lição é a de nos educar para a convivência, essa educação extracurricular que nos ensina principalmente a ética.

Quando alguém se apropria de um conhecimento formal, como o das ciências políticas e das leis, e o manipula para falsear seus objetivos, a ética foi seriamente ferida. Assim como quem defende a sonegação de pagamento do trabalho alheio também.

Como eu não acredito que todo mundo tenha má fé, principalmente meus companheiros do PT, talvez falte a eles, e à sociedade em geral, ouvir o outro lado: o dos trabalhadores intelectuais. (Para informações mais detalhadas acessem o link do seminário “Autores, Artistas e seus Direitos”, do qual participei ao lado de Gilberto Gil, Amilson Godoy e Carlos Mendes).

Estamos assistindo ao embate público entre setores da sociedade civil e o Ministério da Cultura, que retirou de seu site o licenciamento do Creative Commons em vigor desde 2004. Esta atitude da ministra Ana de Hollanda sinaliza apenas que ela procura uma correção da rota, que a proposta de mudança da lei dos direitos autorais perigosamente desviou dos caminhos éticos ao induzir a população à ideia de que o direito autoral impede a democratização do conhecimento.

Quando grupos ligados à cultura digital e aos movimentos sociais pedem uma continuidade da política anterior, será que sabem o que estão fazendo? Colocar no mesmo cesto software e obra protegida é misturar duas questões totalmente diferentes. O software é uma ferramenta enquanto a obra artística é um conteúdo!

Claro que todos nós, com excessão do homem mais rico do planeta, defendemos o soft livre e o de código aberto. Não é à toa que o GNU/Linux é a ferramente operacional mais utilizada por órgãos governamentais e empresas no mundo todo. Lembrando sempre: o autor fez uma doação desse seu invento. Mas a ferramenta não existe por si só, é necessário agregar conteúdo para que tenha serventia.

É preciso que fique bem claro que a obra de arte é o patrimônio moral e pecuniário de seu autor. No sistema capitalista brasileiro deve ser tratado como qualquer patrimônio, que é transmissível por herança sem prazo para extinção desse direito.

Revestida de um verniz de “modernidade e democratização”, a gestão do Ministério da Cultura pelo Partido Verde financiou durante anos consultas à sociedade civil sobre o direito autoral no Brasil. Seria mais ou menos equivalente consultar a sociedade para saber se concordam com o Art. 225 da Lei Maior: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para a presente e futuras gerações”. Este, um novo direito da personalidade, assim como o direito autoral, são conquistas da civilização.

Dizer que o autor impede a democratização do conhecimento ou que a internet é gratuita e por isso todos têm direito ao seu conteúdo gratuitamente é mentira. A internet é uma mina de ouro para as corporações que a dominam e não querem pagar aos criadores que as alimentam. Experimentem tirar músicas e imagens da internet.

Nenhuma lei impede que qualquer pessoa doe sua propriedade. Eu mesma publiquei um livro virtual e o disponibilizei gratuitamente. Mas, se acham complicado sair à procura do autor e sua autorização, acho prática, sim, uma forma de licenciamento na internet que preveja várias categorias de autorização, inclusive a gratuita. Para isso basta o Ministério da Cultura criar este selo brasileiro de licenciamento. Que é simples. Não precisa ficar pendurado num selo americano, que, sem anti-americanismo, é meio ridículo. Sejamos modernos, mas não otários.

5/2/2011

Fonte: ViaPolítica/A autora

Ana Terra é escritora e compositora.

E-mail: anaterra01@gmail.com

Blog: http://anaterra01.blogspot.com/


Homepage:
http://anaterra.mus.br/

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ROBSON LUIZ

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Robson Luiz
"Quando o Amor Chegar" (Robson Luiz)
Clip produzido e dirigido por Lucas Escócio

http://www.youtube.com/watch?v=EPHEn-pDTac&feature=related
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Millôr Fernandes

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"Infelicidade: nascer com talento melódico numa época em que o pessoal só se interessa por percussão"



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A LIBERDADE DA BELEZA - MQ

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Ninguém me Conhece: 32) A Fortaleza de Ricardo Soares

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Eu estava no Credicard Hall naquela noite e, admito, fiz coro com a multidão que vaiava o moço que, tímido e aturdido, tentava entoar os belos versos de sua ieieiística Tudo Bem Meu Bem. No meu caso, as vaias eram por motivos tendenciosos, que nada tinham a ver com a questionada qualidade da campeã. Eu vaiava porque torcia pra Xi - De Pirituba a Santo André, dos amigos e parceiros Rafael Alterio e Kléber Albuquerque, que tinha ainda na banda de apoio, entre outros, meu brou Élio Camalle. Mas o moço não estava nem aí. Com garra (e certo ar blasé) defendia sua canção e seu direito aos muitos reais que o primeiro lugar lhe conferia. Ah, refiro-me ao pomposo Festival da Música Brasileira, realizado pela Rede Globo em 2000. O nome do moço: Ricardo Soares.

O tempo passou, e um dia fiquei sabendo que Ricardo Soares (RS, como seu Estado) entrara na RSMB (leia texto sobre Adolar Marin). Tempos depois o conheceria pessoalmente num show coletivo dessa rede e poderia rever meus (pre)conceitos a respeito do moço. Naquela ocasião ele apresentou, se não me engano, três canções. Confessara-me pouco antes que passara dias ensaiando pra não fazer feio ali no palco do falecido Crowne Plaza (repararam como todas as boas casas de Sampa estão fechando?). Afinal, eram rocks compostos pra apresentação com banda, e no Crowne ele tinha a companhia apenas de sua pobre (mas honesta) guitarra. As melodias me pareceram, à primeira audição, passáveis; o intérprete tinha um quê de canastrão; mas a qualidade das letras era inegável. Eu via ali em ação um compositor em formação (desculpem o eco).

No regulamento do festival da Globo constava que o compositor da canção vencedora, além do prêmio em dinheiro, teria direito à gravação de um disco a ser lançado pela Som Livre. O disco nunca saiu, os motivos nunca vieram a público. A Globo deu a impressão de ter dado um tiro no próprio pé ao não abrir espaço em sua programação aos artistas ali revelados (revelados?). Já nosso herói, impedido de ter suas outras canções descobertas pela massa, encontrou no palco (muito menor, mas muito mais caloroso) do Caiubi o que procurara no do Credicard Hall: público! E foi lá que nos reencontramos. Pois RS deixara a RSMB e eu acabara perdendo contato com ele. Quando o revi no Caiubi, o cara era outro. Seguro de si, com canções maduras, letras cada vez melhores e uma presença de palco de encher os olhos. O tempo transformara a pedra bruta em pérola. Eu mal podia crer que se tratava da mesma pessoa. Pensei com meus botões que, se por um lado a não-gravação de seu disco foi uma injustiça, por outro deu-lhe tempo pra, longe dos holofotes, crescer enquanto, digo, como artista. No mais, não sei realmente se o possível contato dele, ainda verde, com o enfurecido público do Credicard Hall, multiplicado por milhões Brasil afora, não lhe iria ser menos benéfico que maléfico. Viu morrer a chance de se tornar um pop star, em compensação teve tempo, paz e tranquilidade pra depurar sua arte.

De lá pra cá já assisti a alguns de seus shows e posso afirmar que RS é um daqueles (raros) artistas a quem pouco importa se tem pela frente dez pessoas na plateia ou dez mil. Cada apresentação sua é feita com o gás de quem disputa uma final de Copa do Mundo. Diria mesmo que, quando ele fecha os olhos e ouve o público cantar a plenos pulmões "todas as minhas lágrimas correm pro mar/ por isso que o mar é salgado, meu amor/ de tanto eu chorar", seu espírito se eleva e ele se sente como se estivesse no Rock'n'Rio. Seu sorriso feliz e maroto deixa quase transparecer esse segredo, pois ali, o palquinho de 3x4 m toma outras dimensões.
RS vem da escola de outro RS - Raul Seixas. E de Leonard Cohen. E de Dylan. E, por que não?, de Adoniran. É um cantador de histórias. Vale-se da melodia como ferramenta de seus cantos/contos. Por isso, não acredita em muitos acordes. Repete os mesmos de sempre, com poucas variações, e alcança resultados inacreditáveis. Pensando a respeito do que acabo de afirmar, posso acrescentar ao time acima escalado o Rei, Roberto Carlos, a quem ele até já citara em sua consa(n)grada Tudo Bem Meu Bem: "Eu era um Rei sem Erasmos/ eu era o marasmo de um jogo sem gols/ você me trouxe o tango, o bebop, o mambo, o rock'n'roll". Convenhamos: bom gosto não falta nesses versos.


Sou parceiro de RS em duas canções, o que pra mim já é uma vitória, pois o moço se garante com suas próprias letras. Zé Rodrix, seu grande admirador (e divulgador) teve que praticamente lhe assaltar uma letra pra virar seu parceiro. E (glória maior) chegou mesmo a cantar uma canção dele, RS, no show que fez que viraria DVD e não chegou a sair. E ter o Rodrix como admirador conta muitos pontos em favor de qualquer artista. O que lhe tira pontos, em minha opinião, claro, é essa cabeça dura canceriana que não o deixa fazer mais as vezes de letrista mesmo e explorar sua poesia em melodias alheias. Eu adoraria ouvir o resultado de tais experimentos. Um exemplo disso é o fato de que alguns de seus maiores sucessos são parcerias com outro hitmaker: Sonekka. Mas cada artista tem seus motivos e barreiras. Deixemos que o tempo, que o tem tratado bem, cuide do assunto. Por ora, basta a nós outros, poucos privilegiados, poder vê-lo de perto em seu Rock'n'Rio particular, o Caiubi (por ora residindo no Bagaça). Tomara que não lhe baste!

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Ouça algumas das fortalezas de RS
aqui - http://clubecaiubi.ning.com/profile/OXdoPoema
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Leia as letras
aqui -.http://clubecaiubi.ning.com/profiles/blogs/ricardo-soares
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RS também está no Caiubi - http://clubecaiubi.ning.com/profile/RicardoSoares

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Por Léo Nogueira


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sábado, 5 de fevereiro de 2011

VINÍCIUS DE MORAES


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Livro de sonetos. Moraes, Vinicius de, 1913-1980


http://www.brasiliana.usp.br/bbd/handle/1918/01198000#page/1/mode/1up

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AMADEU CAVALCANTE - MACAPÁ

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

JOÃO DONATO E PAULA MORELENBAUM - SÃO PAULO


RUY GODINHO - RODA DE CHORO

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RODA DE CHORO – SÁBADO – DIA 05.02.11

No 1º bloco o destaque vai para a Coleção Choro Carioca - Música do Brasil. O autor enfocado é o violinista e compositor Guilherme Cantalice, nascido em 1850 e que muito contribuiu para a diversificação instrumental do gênero.


No 2º bloco teremos como novidade o único citarista popular do Brasil, o carioca Avena de Castro, e o som do LP Naquele Tempo, lançado em 1961.


No 3º bloco a tônica vai para os bandolinistas Déo Rian e Bruno Rian, pai e filho, e o som do CD Choro em Família.


No 4º bloco teremos a presença revitalizante do violonista, cantor e compositor mineiro – radicado em Brasília - Robson Rodrigues e o som do CD Só em Par, lançado no final de 2010.


O 5º bloco traz o CD Forró e Choro Volume 1 - Marcelo Caldi e Fábio Luna, lançado no ano de 2008, finalista do Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor CD Instrumental.


Ouça pela internet:


Rádio Câmara, Brasília: www.radio.camara.gov.br (rádio ao vivo), sábados, 12h.


Rádio UEL FM, de Londrina, quintas-feiras, 21h.

Rádio Utopia FM, Planaltina-DF, quartas-feiras, 18h.


Produção e Apresentação: Ruy Godinho

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ROLANDO BOLDRIN - SR BRASIL

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DEMOCRACIA? LIBERDADE? NÃO! VERGONHA

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Último instante


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Não olhe meu dia, Maria
É luto mesmo o que escorre
Pelas veias cheias de ausência

Nem olhe a minha morte, Maria
Porque ela vem acontecendo faz muito tempo

Não repare, Maria
É minha tristeza que costura a alma ao corpo
É nela que debruço, choro vida
E deposito a saudade que sinto
Do momento de alguma plenitude

É assim, insistentemente...
Como se os sentimentos seguissem o enterro

Perdôo, Maria
Se alguma verdade faltou na sua boca
Também desdobros seguem cortejos

Seus deuses, meus demônios acompanham
Falantes como poderiam ser esses seres inexistentes

Seguem renques, prosa aberta
Com meus medos, certezas
Possibilidades e muitas mordaças nas mãos

Se porventura, Maria
Enxergar poucas lágrimas
Poucos olhos marejados
Ligue não, Maria
Vim morrendo todos os dias
Pelos caminhos que fui apagando ao passar
Escolhi por arbítrio como sangrar
Os últimos restos da inquietação
E calei meu corpo diante do seu

Se lá estiver, Maria
Em minha carne ainda haverá alma
E nenhuma mágoa
Quando se der o instante
Deixarei sair de dentro de mim
Mas lhe peço, Maria
Não enxugue meus olhos
Porque a derradeira tristeza
Precisará ainda chorar


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MQ
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011