sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SÃO JOSÉ DILIGENTE - Canção do Reino

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SÃO JOSÉ DILIGENTE

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video

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Canção do Reino
(Marcos Quinan)

Arranjo: Fernando Carvalho
Fernando Carvalho - violão/viola de 12 cordas
Pantico Rocha - percussão
Marco Milagres - baixo acústico
Adelson Viana - acordeon
Roberto Stepheson - flauta doce

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ENVERSADO

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Enversado
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Recorrências e meizinhas
Desmisturadas se misturando
Ao que conduz a alma
Jeito febril de ser na vida

Descrente dos óleos curativos da fé
E da luxúria do menos real
A paixão é solavanco
E o amor não é mansidão

Como lâminas o enversado
Corta as carnes e o oco do mundo
Côa o sangue do sentidor

Estradas dormem
Como raízes
Fincadas nos caminhos
Que poderiam ser esquecidos

Sonho é para não se viver
No fingindo viver

O significado gasto das palavras
É enlevo de réu
Sentenciado para o jeito da tristeza
Condenado para o instante
Parecer o sonho inteiro

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MQ

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JAC. RIZZO - NA BRUMA...SOZINHO

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Na bruma...sozinho
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Hoje quero escrever sobre ele: Torquato Neto!
Foi poeta, jornalista e letrista de música.
E quase ninguém mais lembra dele.
É...somos assim, 'rei morto, rei posto', não é como se diz? Ele se foi e com ele a nobreza de alma, a honradez e dignidade! Com ele foi uma imensa sensibilidade!
Certas coisas me comovem...
Há pessoas que me fazem pensar profundamente, que me inspiram!
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Torquato Neto foi parceiro em várias canções de gente como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Edu Lobo.
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Dizia que um poeta não se fazia só com versos. Era preciso mais, muito mais. Era preciso coragem, correr riscos, enfrentar
os perigos. E 'são demais os perigos dessa vida' disse Vinicius, nosso poeta maior! Ser poeta é não ter medo! É inventar e recriar cada instante! É destruir a linguagem e explodir com ela!
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Torquato Neto trancou a porta e abriu o gás, no dia 10 de novembro de 1972, no Rio de Janeiro.
Porque você desistiu poeta? E antes de ir embora, deixou o seguinte bilhete:
"Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar".
Thiago era o seu filho... . É, não sacudam...ele pode acordar e descobrir coisas que não irá gostar!!

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Cogito
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eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim
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Torquato Neto

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Jac. Rizzo - http://jacrizzo.blogspot.com/
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O POVO DO BELO MONTE I - Enunciado

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CANUDOS I - O Povo do Belo Monte

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Enunciado - Cópia do artigo de Brás Teodoro a uma revista de grande circulação que foi censurado pela ditadura.


Quando começam as pesquisas arqueológicas no sítio onde era o Belo Monte e onde se passaram as batalhas da Guerra de Canudos, rapidamente, mesmo com os técnicos apontando outro lugar tão ideal quanto, começam a construção da barragem de Cocorobó no Vaza-barris. Suas águas vão encobrir toda a região. São políticos ainda fardados escondendo seu passado, encobrindo rastos.

Não entendo a falta de estudos sobre o episódio de Canudos. Uma utopia? Não é assim que penso o assunto. Houve uma realidade ali, não era sonho aquilo; não era um bando de coitados e um louco. Nem tampouco alguma ideologia vinda de onde quer que fosse e assimilada por desamparados. Tudo aquilo foi construído pela necessidade e acabou unindo o destino individual e o coletivo, dando sentido à vida do povo que sofria com a seca e o abandono. Dessa história, nossa realidade, precisávamos cuidar melhor, aprender com ela. E não é por outro motivo senão por nós mesmos, por cada um de nós. A ignorância não deveria mutilar tanta gente como ocorreu e como ocorre até hoje.

As razões da existência dos beatos estão na seca, na miséria consentida pelo poder da política, das oligarquias e da religião; na transferência dos registros da Igreja para o Estado, entendida como uma forma nova de escravidão. Daí as revoltas como as do Ronco da Abelha e do Quebra Quilo.

As origens da congregação de tantas pessoas em torno do beato Antônio Conselheiro estão na necessidade de se juntarem contra o infortúnio da seca e da miséria que marcou e marca até hoje o sertão nordestino. Isso tudo está nos ensinamentos e pregações do Padre Ibiapina – cearense, estudioso e fazedor, que deixou a toga pela batina e inspirou no sertanejo essa mistura de fé e esperança com provimento; ensinava ir fazendo sem por ninguém esperar: nem estado e nem igreja.

Foi assim que o catolicismo sertanejo, nascido do descaso da igreja e do estado, começou a aparecer, através da Irmandade dos Beatos, no pensamento de Ibiapina... Foi assim que dezenas de obras sociais e públicas foram construídas. Assim surgiram as Casas de Caridade que cuidavam da saúde, educavam, reuniam os desvalidos na construção dos açudes, cemitérios, igrejas e asilos... acabando por se transformar em instituição paralela, incômoda e perigosa ao poder constituído, até Ibiapina ser proibido pela Igreja do Ceará. Mas aí, a Irmandade dos Beatos já havia deixado livros e ensinamentos contendo as Regras do Bem Viver; ajudando formar muitos seguidores que perambulavam pelo nordeste: beatos, beatas, sacerdotes ou não, entre eles – compartilhando o pensamento - Padre Cícero, Conselheiro e muitos outros.

Tantos viviam sem oportunidades, com a fome e a sede empurrando-os para qualquer servidão, que de pertences só tinham mesmo as algemas da miséria, oferecidas por degradantes proprietários de terras – que formavam outro poder, tanto no Império quanto na República, legislando em conivência com a Igreja.
Com o Imposto do Chão tirado da boca, a dignidade andava muito mais perto dos rastos de um beato do que em qualquer povoado onde os donos da terra reinavam com o Colete de Couro: eram as oligarquias, a política e a igreja espremendo vontades.

O militarismo se engalfinhando e se omitindo, ampliando seus séqüitos... os políticos em conchavos recebendo até patentes. Uma luta inventada no sertão assedentado; os desvalidos fazendo falta aos senhores e seus grilhões. Forças estaduais despreparadas, abrindo até prisões para formar contingentes. Estranho para o exército grande que tínhamos. Alguém se opunha verdadeiramente à República? Ou seria nosso militarismo se justificando? Será que eles não precisavam de um acontecimento grande para isso? Para se projetar nacionalmente?

O Belo Monte ou - como a maioria chama - Canudos era uma pequena comunidade de algumas casas quando Antônio Conselheiro chegou lá com seus seguidores, depois de passar muitos anos peregrinando pelo sertão, deixando por onde passava um rasto de dignidade, apesar de a intolerância queimar as mãos dos poderosos.

Por que construir uma comunidade ali? Será que não era pelo número de pessoas que já o seguiam? Pela perseguição que lhe faziam? Será que um beato construtor de igrejas, açudes, pontes e cemitérios, ao ver tanta gente para alimentar, não pudesse ter a simples idéia de parar num lugar e iniciar um lugarejo, conclamando seus seguidores a viver e produzir para a boca, escolhendo a beira de um rio quase perene, o Vaza-barris, escolhendo construir melhor um modo de viver e poder olhar todos nos olhos?

Por que um lugar miserável se ali não se passava fome? Entrava e saía, qualquer um, quando quisesse; trabalhavam e o que cada um produzisse, uma parte era usada para ajudar quem vinha chegando. Como era construir uma igreja naquela época? E casas de taipa com o luxo de passar barro, pintando as paredes? Plantar, colher, criar animais de corte, fazer farinha, comercializar na redondeza o excedente e dar ao estado a maior fonte de receita do imposto de exportação sobre peles? Andar pela região por anos seguidos sem cometer nenhum crime, sem roubar, sem atacar ninguém; ver dia após dia gente de todo o sertão integrar aquela comunidade, acreditando uns nos outros?

Não obedecer a algumas leis, legisladas na complacência dos próprios interesses, contestar a cobrança de um imposto municipal que o executivo arbitrava despudorado, quase no valor da coisa vendida... é um crime? Então, reclamar uma mercadoria paga e não entregue seria outro? Intitular-se contra um regime político é crime? Desvalidos combatendo a República ou encontrando caminhos e contagiando o sertão todo? Qual tamanho de indignação pode caber num homem?

Um doido, um fanático, não constrói um lugar do quase nada; não congrega tanta gente em volta de si e de suas idéias se nelas não houver uma verdade e uma esperança. Um demente religioso fanático não permite a liberdade se processar fora de sua doutrina; não luta contra a escravidão... Há uma grande injustiça histórica quando se omite Antônio Conselheiro ao se falar do abolicionismo. Sobre isso existem relatos de imigrantes italianos que trabalharam na construção da estrada de ferro que corta a região e testemunharam pregações dele contra a escravidão: os escravos andavam distâncias para ouvi-lo.

Estranho um monarquista ser o abolicionista que foi. Não dá para ser simplório e achar que entre os escravos não existia alguma formação; que muitos deles não descendiam de mouros, islâmicos, acostumados a lutar... eram alfabetizados e ensinavam aos seus descendentes. Imagine a cultura e a índole indígena dobrando-se a um fanático religioso, trabalhando junto. Não dá para entender isso possível no tão pouco tempo do Belo Monte. O povo achando uma forma de ser, juntando-se em caminhos.

Foi o melhor esboço sobre a nação brasileira que, infelizmente, a maioria não viu. Não dá para supor que as raças que compõem nossa etnia fossem naquela época destituídas de suas culturas... não dá pra imaginar uma comunidade que funcionava como outra qualquer, existir apenas seguindo um pregador, que diziam ser messiânico até a morte.

Uma coisa é reunir multidões para ouvir uma pregação, fazer um protesto, uma manifestação política ou qualquer coisa sobre o que quer que seja... até para cobrar um dízimo... basta ter carisma. Mas, outra é manter um arruado funcionando, juntando os desiguais; reunindo a moeda imperial com a republicana e a dela própria; merecendo crédito na redondeza, possuindo organização própria, administração civil e religiosa, duas escolas e até cadeia que chamavam poeirão, por estar sempre vazia. Será que não seria mais lógico aprender com esses fazedores? Gente que teve a capacidade de matar para defender seu lugar, mais ainda de morrer por ele?

Em Belo Monte, o culto religioso não era obrigatório: também não se obrigavam casamentos; existiam mães solteiras, mas elas não sofriam preconceitos, tudo era dividido entre todos que viviam nas Regras do Bem Viver, não só comida, ferramentas, mas afeição e solidariedade também. As pessoas trabalhavam, tinham a liberdade de entrar e sair, de comercializar. Restrições mesmo só à cachaça e à prostituição.

Ideais não saem das formas de governo, mas nações podem nascer de ideais. Canudos como ética redentora... à espera do Messias... marxista... e outros rótulos legados por nossa política militarista e pela imprensa da época, por interesse ou ignorância dos fatos, testemunhos duvidosos, pressão e exigência ou endosso da maioria dos poderosos da Nova República.

Será que os conselheiristas não faziam falta nas listas de votação tanto quanto na força de trabalho remunerado de qualquer jeito? Será que não se temia fosse Antônio Conselheiro eleito por seus seguidores?

Temos Villa Lobos, Guimarães Rosa e Cândido Portinari, mas na prática não temos na nossa formação e nem na nossa cidadania. Temos o episódio de Canudos mas na prática também não o temos. Minha crítica é aos nossos historiadores... sim, aos nossos educadores, ao nosso jornalismo preguiçoso, à nossa despreparação no quesito brasilidade.

Francisco de Assis, Antônio de Pádua e mais pelo menos uma dúzia de outros tiveram uma vida pessoal bem parecida com a de Antônio Maciel. Ele santos venerados.. o nosso brasileiro... um fanático? As prédicas que ele deixou escritas em dois cadernos demonstram coerência e não o contrário. Por que será que foram deixados de lado por jornalistas, educadores e escritores?

Desgarrado de qualquer laço com a riqueza e a hierarquia instalada, Antônio Conselheiro sucumbiu junto ao povo do Belo Monte sem que o governo, a polícia, os juízes, o exército, o poder da Igreja, atiçados por intelectuais, entendessem aquela visão de mundo. O episódio carrega a dor da injustiça, o genocídio de um povo que vivia da palavra do mesmo Deus em que seus algozes acreditavam, do seu trabalho e de fazer o bem.

Tenho certeza, jamais vou entender essa lógica de que a história está escrita e só temos que preencher os papéis; esse conformismo não cabe dentro da minha vida, dentro da minha arte e nem dentro da minha brasilidade.

A história do povo do Belo Monte passa por conhecer o que era o sertão nordestino na época do catolicismo sertanejo; conhecer Antônio Vicente Mendes Maciel desde o início de sua peregrinação, o beato construtor de cemitérios, açudes, igrejas... O abolicionista que pregava aos escravos e aos destituídos, a palavra do Deus em que acreditava e tirava do nada a dignidade e a esperança.
Passa por entender a região com relação ao homem nas grandes secas seguidas que empobreceram cada vez mais o sertão e escravizaram os livres aos cativeiros dos grandes donos de terras e usinas que acabaram usando o escravo e o homem pobre igualmente pelo poder de dono e de possuidor.

Passa por entender a igreja com suas múltiplas verdades sempre atrelada aos poderosos por séculos e séculos; suas contradições e culpas impostas, não aceitando a própria palavra do seu Deus pregada pela boca e gestos de um simples beato penitente que ela, por conveniência, ajudou a criar.

Passa por entender o momento histórico que foi a falta de braços depois de acabar a escravidão, e a falta que fazia o trabalho de cada sertanejo seguindo o beato.

Passa por entender a imprensa quase sempre servindo às elites, amplificando interesses. Passa por entender nossas forças armadas, na época mais força e mais armada com a República começando e já começando com as disputas mesquinhas pelo poder.

E por entender o custo do deslocamento de grande parte do exército, tropas de quase todos os estados, abastecidos com certeza pela ganância comercial que ronda as contas públicas; quem no mundo se negaria a emprestar somas à jovem República militar repleta de riquezas - e sabida por todas as inglaterras do mundo - naquele momento ameaçada por um poderoso líder local, vestido de túnica azul e com um cajado na mão, lançando pela boca sua arma poderosa e mortífera, enquanto a elite europeizada acreditava em trazer emigrantes para trabalhar a um custo absurdo, ao invés de usar nossos miseráveis sertanejos, fazedores, ex-escravos e mestiços iletrados como força de trabalho? Quanta dignidade poderia ser ensinada e aprendida? Sobre muitas dessas coisas passamos ao largo ou superficialmente e não deveríamos.

Existem perguntas demais para serem respondidas. Apesar de, de poucos anos pra cá, graças a alguns incansáveis e abnegados estudiosos, estar aparecendo relatos e estudos interessantes. Acho pouco, muito pouco o que sabemos. Parece que esse assunto ficou nos porões da nossa República há tanto tempo que o descaso apagou.

Mas falta muito sobre o assunto. O episódio de Canudos deveria ser dissecado em todos os aspectos, desde o catolicismo sertanejo que supria não só o espiritual do povo do sertão, mas até o material no estado omisso, passando por entender todas as ligações políticas e religiosas que formavam o emaranhado do poder; até as prédicas de Antônio Conselheiro que ele deixou e que foram solenemente ignoradas por muito tempo, preferiram utilizar oficialmente outros escritos que não o traduziam. Ele era poeta também e suas prédicas, cartas e versos, sua despedida, como abaixo, só o revelavam.

“ Preza aos céus que abundantes frutos produzam os conselhos que tendes ouvido; que ventura para vós se assim o praticardes; podeis entretanto estar certos de que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, nossa luz e força, permanecerá em vosso espírito. Ele vos defenderá das misérias deste mundo; um dia alcançareis o prêmio que o Senhor tem preparado (se converterdes sinceramente para Ele) que é a glória eterna. Como não ficarei plenamente satisfeito sabendo da vossa conversão, por mim tão ardentemente desejada? Outra coisa, porém, não é de esperar de vós à vista do fervor e animação com que tendes concorrido para ouvirdes a palavra de Deus, o que é uma prova que atesta o vosso zelo religioso. Antes de fazer-vos a minha despedida, peço-vos perdão se nos conselhos vos tenho ofendido. Conquanto em algumas ocasiões proferisse palavras excessivamente rígidas, combatendo a maldita república, repreendendo os vícios e movendo o coração ao santo temor e amor de Deus. Todavia não concebam que eu nutrisse o mínimo desejo de macular a vossa salvação (que fala mais alto do que tudo quanto eu pudesse aqui deduzir) me forçou a proceder daquela maneira. Se porém se acham ressentidos de mim, peço-vos que me perdoeis pelo amor de Deus. É chegado o momento para me despedir de vós; que pena, que sentimento tão vivo ocasiona esta despedida em minha alma, à vista do modo benévolo, generoso e caridoso com que me tendes tratado, penhorando-me assim bastantemente! São estes os testemunhos que me fazem compreender quanto domina em vossos corações tão belo sentimento! Adeus, povo, adeus aves, adeus árvores, adeus campos, aceitai a minha despedida, que bem demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança deste peregrino, que aspira ansiosamente a vossa salvação e o bem da Igreja. Preza aos céus que tão ardente desejo seja correspondido com aquela conversão sincera que tanto deve cativar o vosso afeto.”

Não custa lembrar que parte da ralé do vitorioso exército, que chacinou os conselheiristas, ficou acampada no Rio de Janeiro, no, antigamente chamado, Morro da Gamboa, de frente ao Ministério da Guerra ou ao nome que isso era chamado na época, esperando as medalhas e decerto o soldo e por terem lutado no alto da Favela, viraram os favelados... originaram nossas favelas e os problemas que elas carregam em si; um monstro já velho, nascido bastardo no ventre fardado da nossa jovem República.

Acho absurdo estarmos perdidos de nós mesmos. Tem hora que penso que minha lucidez com relação à Brasilidade é insanidade, por isso pinto minha loucura, entalhes de angústia, amor e dor.

Brás Teodoro


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Encontre a livro O POVO DO BELO MONTE na www.ladodedentro.com.br

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

BRASIL CONSENSUAL

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Brasil consensual


Sou renitente e plural
Faço parte da manchete do jornal
Não sou culpado nem liberal
Mas integrante do Brasil consensual

Sou quilombola e sou bom de bola
Meio camelô, ando é de metrô
Tenho uma ong para o social
Mantida só com verba federal

Vivo é na minha periferia
Sou sem terra, sem moradia
Estatutário, um mercenário
Meio indigente e itinerante
Sem autonomia e sem covardia

Imigrante lá da minha tribo
Que anda junto comigo
Sou afro descendente
Um retirante meio descontente
Sou da minoria sexual
Religiosa, cultural

Ganho bolsa família, fui presidiário
Um assistido meio combalido
Furtado na vida
Não tenho porte atlético
E fico perplexo

Mas vamos deixar de conversa
Dá meus direitos ai
Sou da minoria
Que forma essa maioria desigual

Dá meus direitos ai
Sou a minoria
Que dá forma a esse Brasil consensual

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MQ e MAQ
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PONTOS DE MÍDIA LIVRE

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Durante o Fórum Mundial de Mídia Livre, em Belém, o secretário Célio Turino anunciará o lançamento do edital dos Pontos de Mídia Livre. Isso mesmo: os Pontos de Cultura estão aí, agora é a vez dos Pontos de Mídia Livre!

No primeiro edital estará estabelecido que o MinC premiará 60 iniciativas de comunicação compartilhada, ou seja, midialivristas. Poderão candidatar-se blogs, sites, rádios e TVs livres, estúdios de produção de áudio e vídeo, fanzines e outras formas de mídia – desde que promovam interatividade com o público.

Assim como os Pontos de Cultura – que se espalharam pelas periferias brasileiras e ganharam reconhecimento internacional – os Pontos de Mídia Livre rejeitam o papel tradicional do Estado. Quem produz Cultura (ou Comunicação) é a sociedade. Cabe ao poder público prover condições para tanto.

Em Vitória já está rolando uma articulação para que a prefeitura faça o mesmo, lançando um edital municipal. Isso pode começar a dar o mínimo de suporte para que floresçam iniciativas midialivristas Brasil afora.

Dez Pontos de Mídia Livre, premiados na categoria nacional, receberão incentivo de R$ 120 mil para multiplicar e aperfeiçoar seu trabalho. Para a categoria regional ou local, cinqüenta pontos, serão destinados R$ 40 mil cada um. Os detalhes do edital estão em www.cultura. gov.br/cultura_ viva.

Este assunto será debatido com o secretário Célio Turino, em Belém, no dia 29 de janeiro (quinta-feira) , das 12h às 15h, e faz parte da programação do Fórum Mundial de Mídia Livre.

Local: UFPA Profissional, bloco KP, sala KP07.
Participantes: Célio Turino (Ministério da Cultura), Antônio Martins (Lê Monde Diplomatique Brasil), Renato Rovai (Revista Fórum), Ivana Bentes (UFJR), Giusepe Cocco (Revista Global) e Altamiro Borges (site Vermelho).

Inscreva-se no FMML

O Fórum Mundial de Mídia Livre acontecerá nos dias 26 e 27 de janeiro de 2009, em Belém do Pará. Inscreva-se!

http://forumdemidialivre.blogspot.com/search/ label/inscricao%29
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CARLINHOS ANTUNES E ORQUESTRA MUNDANA - SÃO PAULO

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SÃO PAULO
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

SÃO JOSÉ DILIGENTE

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SÃO JOSÉ DILIGENTE - Marcos Quinan

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São José Diligente
(Marco Antonio Quinan / Marcos Quinan)

Arranjo: Roberto Stepheson
Marco Antonio Quinan - violão
Pantico Rocha – percussão
Eudes Fraga – voz
Victor Astorga – oboé
Roberto Stepheson - flautas
Marco Milagres - baixo acústico
Renata Ribeiro - viola
André Cunha - violino 1
Daniel Cunha - violino 2
Ocelo Mendonça – cello
Participação especial:
Paulo César Pinheiro - voz

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Encontre na http://www.ladodedentro.com.br/


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NILSON CHAVES - OBRA PRIMA DA MÚSICA BRASILEIRA - Amazônia

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OBRA PRIMA DA MÚSICA BRASILEIRA
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Amazônia - Nilson Chaves

Sim eu tenho a cara do saci, o sabor do tucumã
Tenho as asas do curió, e namoro cunhatã
Tenho o cheiro do patchouli e o gosto do taperebá
Eu sou açaí e cobra grande
O curupira sim saiu de mim, saiu de mim, saiu de mim...
Sei cantar o "tár" do carimbó, do siriá e do lundú
Um caboclo lá de Cametá e o índio do Xingu
Tenho a força do muiraquitã
Sou pipira das manhãs
Sou o boto, igarapé
Sou rio Negro e Tocantins
Samaúma da floresta, peixe-boi e jabuti
Mururé filho da selva
A boiúna está em mim
Sou curumim, sou Guajará ou Valdemar, o Marajó, cunhã...
A pororoca sim nasceu em mim, nasceu em mim, nasceu em mim...
Sim eu tenho a cara do Pará, o calor do tarubá
Um uirapuru que sonha
Sou muito mais...
Eu sou, Amazônia!
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ALFORRIADA

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alforriada


o conceito científico
reuniu seus homens
pálidos e densos
o conselho ecológico
reuniu os homens
que enxergam amanhãs
o congresso ecumênico
reuniu em orações
e meditações, seus próceres
os filósofos apresentaram
suas profundezas
os governos se reuniram
em tratados, vaidade e propinas
estudaram e concordaram
preservar para o futuro
para próximas gerações
escravizando em grilhões
de tanta sabedoria
a floresta viva
que minha ignorância
convive
que minha ignorância
calada ama
que minha ignorância
alforriada, convive
calada e ama


MQ
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VIRGÍNIA ROSA - SÃO PAULO

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SÃO PAULO
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

MARIANNA LEPORACE CONVIDA FELIPE RADICETTI - RIO DE JANEIRO

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RIO DE JANEIRO
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JAC. RIZZO - A POESIA É MELHOR

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A poesia é melhor
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Eu era criança ainda, quando ouvia meu pai contar do Barão de Itararé. Guardei para sempre esse nome na lembrança! Algum tempo mais tarde, ganhei um livro dele. Apparício Torelly, esse era o seu verdadeiro nome. Gaúcho, poeta, jornalista, matemático, cientista, político, teatrólogo, mas foi como humorista que ficou conhecido.


Acho que ele foi o grande inspirador da turma que fundou o Pasquim. Veio pro Rio em 1925 e foi trabalhar n´O Globo. E é aí que a história dele começa de fato. Pouco tempo depois, troca de jornal, indo para ‘A Manhã’. Adota, então, o nome de Barão de Itararé e mais tarde, funda A Manha, numa ironia ao outro. Terrível ele era!! Nesse ‘pasquim’ fazia gozação de tudo. E em plena ditadura de Getúlio Vargas, foi preso e espancado diversas vezes e teve seu pequeno/grande jornal fechado em várias ocasiões. Mas parece que nada lhe fazia calar a boca!

Ele era uma espécie de Mencken tupiniquim, nosso iconoclasta! E de uma inteligência e humor muito agudos! Fazer rir é mais difícil que fazer chorar, dizem, e ele fazia as pessoas rirem! Há todo um foclore em torno de sua figura. Dizem que certa vez, numa aula de anatomia, ( ele estudou medicina...curso que nunca terminou) um professor lhe fez a pergunta: ‘Quantos rins nós temos?’ Ele nem piscou: ‘Quatro’, disse. E antes que o professor tivesse um ataque de espanto, explicou: ‘ Dois eu e mais dois o senhor.’ Muito irreverente ele era!

Dizem também, que após ser espancado por militares, na ditadura de Getúlio, pendurou na porta de sua sala, uma placa com a inscrição ‘Entre sem bater’. Algumas de suas frases foram incorporadas para sempre ao anedotário nacional. ‘ Há algo no ar, além dos aviões de carreira’... quem não conhece! Ele foi o senhor das frases! Colocava em seu jornal, manchetes do tipo ‘Haja o que houver, aconteça o que acontecer, estaremos com o vencedor’.

Também gosto quando ele define banco como uma instituição que empresta dinheiro, se você apresentar provas de que não precisa dele! Cada vez que era preso, dizia que se enclausurava para meditação e retiro espiritual.

Mas uma das coisas mais geniais que disse, foi um pouco antes de morrer, justificando a morte: ‘O triunfo duma revolução socialista definitiva, que reduz os seres dos três domínios – mineral, vegetal e animal – a uma classe única’.

Apparício Torelly foi, talvez, o rei da imprensa alternativa. E se autodefinia como ‘um marxista esotérico’ . Hoje, acho que seu sucessor mais legítimo seja Millôr Fernandes! Mas você pode discordar, se me explicar as suas razões...e pricipalmente, se você conhecer outro tão transgressor quanto o barão, por favor, me informe...vamos polemizar!

E mais que tudo, ele considerava a ciência uma arte.
E a poesia, claro, o mais alto ramo das ciências!

Jac.


Jac. Rizzo - http://jacrizzo.blogspot.com/
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ANGÉLICA TORRES LIMA

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ANGÉLICA TORRES LIMA
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PALAVRA SOLTA

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PALAVRA SOLTA
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Palavra Solta é fruto da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília
Café Martinica recebe poetas em evento mensal que tem início nesta sexta, 23

O Café Martinica abre seus jardins para o I Palavra Solta, evento poético mensal, que acontecerá sempre às sextas-feiras, e que está sendo reconhecido como o primeiro “filhote” da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (I BIP), realizada em setembro do ano passado. Sob a coordenação do jornalista e escritor Alexandre Marino, um grupo de poetas se revezará no palco para falar poemas de sua própria autoria e de um autor brasileiro consagrado. Nesta primeira edição, que acontece na próxima sexta, 23, a partir das 21h, o homenageado será Manuel Bandeira.
O Café Martinica tradicionalmente abre suas portas a eventos culturais, e foi um dos pontos significativos de encontro de seus frequentadores com a poesia, durante a I BIP. O Palavra Solta seguirá os mesmos moldes do Poemação, que aconteceu em vários bares e cafés da cidade dentro da programação oficial da Bienal, com boa recepção do público. Como ocorreu durante a Bienal, o palco será montado nos jardins do café, que fica na 303 Norte.
O evento terá sempre duração de uma hora e reunirá em média seis a oito poetas. Deste primeiro participam, além de Marino, Angélica Torres Lima, Ariosto Teixeira, Carla Andrade, Fernando Marques, Ivan Sérgio, Luís Turiba e Paulo José Cunha – todos, jornalistas de profissão.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

VINICIUS DE MORAES - CINEMA

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CINEMA
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BELÉM

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BELÉM
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O Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML) está com inscrições abertas! O evento acontecerá nos dias 26 e 27 de janeiro, em Belém – PA, e faz parte das atividades do Fórum Social Mundial 2009. As inscrições são gratuitas e feitas pelo
http://forumdemidialivre.blogspot.com/.
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É muito interessante que os fazedores de mídia livre cadastrem as informações de seus veículos no link "Mapeamento da Mídia Livre", disponível no site, informando sobre suas mídias no ato de inscrição.
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O encontro, com a participação de veículos independentes de produção midiática de diversos países, propõe a construção de alternativas de produção de informação, estruturação política da mídia livre internacional, discussão de alternativas de financiamento e de compartilhamento de conteúdo, propagação de novas possibilidades de atuação disponibilizadas pelas novas tecnologias e a soma de forças de atuação nas diversas frentes de democratização da comunicação.
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A programação do FMML prevê a realização de duas mesas na manhã do dia 26, com os temas "Como ampliar o Midialivrismo" e "A Mídia e a Crise". No período da tarde, haverá ainda dois outros momentos, o "Seminário de Comunicação Compartilhada no FSM" e as "AtividadesAuto-gestionadas", nas quais o participante do fórum torna-se protagonista. No dia 27, será realizada a Plenária de Encerramento, com a reunião das propostas e a elaboração de um documento síntese.
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O FMML é uma conseqüência do I Fórum de Mídia Livre, realizado no Rio de Janeiro em junho de 2008. Reunindo mais de 500 ativistas, jornalistas, professores, estudantes e empresários, o evento significou uma inédita união política entre os principais veículos independentes de mídia brasileiros, sistematizando formas conjuntas de atuação.
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Em 23 de outubro, o Grupo de Trabalho Executivo do FML lançou o Manifesto da Mídia Livre, com os dez compromissos do movimento e oito propostas principais, entre as quais a realização do FMML em Belém. O manifesto já obteve a adesão de 29 entidades e movimentos e de 25 veículos independentes nacionais. O movimento gerou a mobilização regional em vários estados do Brasil, com a realização de fóruns e seminários locais.
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Mais informações:
Fórum Mundial de Mídia Livre – 26 e 27 de janeiro de 2009 em Belém, PA
Local: NPI – Escola de Aplicação da UFPA
- Av. Tancredo Neves,nº 1000 –
Bairro Montese – Belém, PA.
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Mapa do local no site do NPI
Site:
http://forumdemidialivre.blogspot.com/
Email: forumdemidialivre@gmail.com
Telefone: (91) 8130 2097 (produção)
Gustavo Barreto: (91) 9250 9594
Leandro Uchoas: (91) 8130 2097
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

AÍLA MAGALHÃES E JULIANA SINIMBÚ - BELÉM

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BELÉM
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ARTHUR ESPÍNDOLA - BELÉM

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BELÉM
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ENTREATOS - O Idealizado

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O idealizado
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Para ele, era a pessoa mais maravilhosa que já conhecera, aquela beleza que quanto mais se olhava mais se percebia, ficava deslumbrado. Seus gestos, a voz, o olhar eram na dose certa; o mistério e a simplicidade misturando-se em harmonia. Uma alegria contagiante, no jeito sutil e embriagado. Assim foi nascendo. Quanto mais a conhecia, mais amplificava a sensação de que era tudo que sonhara. No começo ficou arrebatado com o amor, com a pessoa. Sentia-se feliz, muito feliz.


Para ela, na primeira mentira, o perdão. Depois um descaso corriqueiro, perdoado. Outras mentiras e o perdão. Em alguns momentos, parecia uma estranha, distante, confusa, inventando situações. Provocando ciúmes, desconfianças e pequenos jogos de sedução. O amor era maior, desculpava e abrandava tudo, a vida seguia.

Para ele, cada vez que a perdoava, uma mágoa ficava plantada no coração.
Um dia telefonou e a gravação informou número inexistente. Passou na porta da casa e não viu o carro; bateu assim mesmo, insistentemente, até um vizinho informar que ali não morava ninguém. Procurou-a no trabalho, não a conheciam. Ninguém a conhecia em nenhum lugar onde estiveram juntos.

Chegou um tempo amargo e dolorido; não a queria mais e ao mesmo tempo queria desesperadamente.

Tentou em vão achá-la. Para ele, a mulher inexistente existia.
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MQ
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I FESTIVAL PAN-AMAZÔNICO DE DOCUMENTÁRIOS - BELÉM

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BELÉM
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MÁRCIA CORRÊA - Sombra e Precipício

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MÁRCIA CORRÊA
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Não há laços possíveis
Entre o coração e a vontade
Enquanto o desejo feito vício
Arqueia os ombros sentado
Á sombra do precipício
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Entre a névoa da madrugada
E o vacilante sol invernal
Residem temporais no olhar
Inundando de vazio e sal
Pálpebras acolhidas de mar
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Quando vem de vez a manhã
Cerrando as cortinas da noite
No palco bêbado e sombrio
Resta solitária a dor de alguém
Diante da platéia de ninguém
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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

CAMILO DELDUQUE - A Encarnação do Bar

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É como se sentássemos junto ao poeta no bar, ao lado de demônios arrepiados, deuses esquecidos, musas arrependidas e anjos descabelados; gente vinda de todas as lonjuras, só pra conversar solidões, beber aço de palavras, afiar pontas de versos e depois vomitar tarântulas pelas ruas, sonhar mais, esquina a esquina, entre a lida e muita saudade, sempre mais e mais.

"O bar é a urgência
Da sorte e da morte
Onde cicatrizes festejam feridas
Inaugurando sonhos e apelos
Que somente os bêbados sabem inventar"

Em, “A Encarnação do Bar – um cão vermelho engolido em luz amarela”, está o poeta completo equilibrando suas vertigens e vísceras, permeado da luxúria de ser - total, amazônico, brasileiro. Vem na vida ajuntando pedaços, limpando o mofo de portões com a sensibilidade, desde “Beruri – Igarapé de Versos“ - Edição do Autor, publicado em 1989.

"Caber-se
É encher-se do todo
Sem poupar do pouco
O muito do oco"

A poesia de Camilo Delduque aponta em riste, sem subterfúgios e metáforas de estilo. Vai direto na alma, soca ou afaga sem pudor, como cachaça, depois que queima, aquece, ou vice-versa.

"O verso que me carrega
Rega o universo
Ele é certo e adverso
E eu não creio
Quase
Em outra versão"

Vestindo a nudez do seu olhar agudo e urgente, dolorido e amoroso; procura seu canto definitivo no comum da vida, dia a dia, explorando todos os ângulos dos desencontros, no inconformado e bendito bem da poesia.

"Abro meus braços para a rua
E lá sou eu aprendendo meu destino"

Vez ou outra canta a passionalidade; vez e outra a pura essencialidade, vez e sempre a vida cheia da saudade - próprio, embriagador e lúcido demais.

"E amam-se os bêbados que têm dedos para contar quantas vezes de amor precisam"

É assim que anda seu calvário entalhando pelo caminho inquietações e contundências. Sabe de cor o tempo que só dentro de si restou e é nele que se crucifica.

"Atalho a dose
Entalo o bar

Selo a sorte
Sofro

Ao talho – a carne
o crucifixo

Ao selo – um cristo
Ao sofrimento – eu
essa saudade"

Depois renasce em convívio nos caminhos, colhendo harmonia e caos para se transmudar em palavras aceradas de gestos de prazer.

"Menti porque precisei da hora
Para apagar o minuto"

Os versos de “A Encarnação do Bar – um cão vermelho engolido em luz amarela” foram fermentados no alambique da alma e no olhar argucioso e assim, embriagados de paixão, possuem a serventia do que é belo. Camilo Delduque é atemporal como os grandes poetas e como a angústia, assim que é.

Marcos Quinan

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CACASO E CLÁUDIO NUCCI - OBRA PRIMA DA MÚSICA BRASILEIRA - Mar de Mineiro

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OBRA PRIMA DA MÚSICA BRASILEIRA
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mar de mineiro
cacaso / claudio nucci
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mar de mineiro é inho
mar de mineiro é ão
mar de mineiro é vinho
mar de mineiro é vão
mar de mineiro é chão
mar de mineiro é pinho
mar de mineiro é pão
mar de mineiro é ninho
mar de mineiro é não
mar de mineiro é bão

mar de mineiro é garoa
mar de mineiro é baião
mar de mineiro é lagoa
mar de mineiro é balão
mar de mineiro é são
mar de mineiro é viagem
mar de mineiro é arte
mar de mineiro é margem
mar de mineiro é lago
mar de mineiro é vago

mineiro tem mar de cio
mineiro tem mar de fonte
mineiro tem mar de rio
mineiro tem mar de monte
mar de mineiro é curvo
mar de mineiro é manha
mar de mineiro é turvo
mar de mineiro é montanha
mar de mineiro é fundo
mar de mineiro é mundo
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

JAC. RIZZO - A ÚLTIMA FLOR

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Há alguma coisa que
Pressinto em teus cabelos
Como nos dedos do vento
A chuva, à tarde
Há alguma coisa
Que não dizem
Teus lábios e que escondes
Nas tranças do tempo
Alguma coisa que vagueia
E que não pousa...

Jac.

Jac. Risso - http://jacrizzo.blogspot.com/
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ANGÉLICA TÔRRES - Desesperança

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ANGÉLICA TÔRRES
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Desesperança

Ele chega. Lê meus poemas.
Flerta meus livros
e discos como se
me tirando a roupa,
olhando meu corpo
detalhada
e suavemente

Acossada, excitada
erro em tudo o que faço.
Desato laços poéticos,
patético.
Represento um papel
em que minha assinatura
não parece fiel nem meu texto
o mais puro e o mais próximo
da nudez singela do sertão

Ele pensa que possui essa alma
nua. Ela sonha possuí-lo nu
e alma.
Mas o enredo concreto
transpassa em silêncio.
E o tempo passa
na ponta de um imenso lápis
riscando o calendário
dia após dia
de vento
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

NICE PINHEIRO - Maysa

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Acredito que o grande amor de Maysa sempre foi André Matarazzo. Desde criança, literalmente. Realizou o sonho de casar e ser feliz com ele. E destruiu também. Cresci ouvindo que não se pode ter tudo ao mesmo tempo, e Maysa queria tudo ao mesmo tempo. Queria o homem que amava, o filho, e o sucesso como cantora e compositora. Não fosse naquela época, talvez ela tivesse conseguido...
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A doença de Maysa, segundo Ana, sua fiel escudeira e anjo da guarda, era "excesso de tudo". Mas esse "excesso de tudo" era provocado pela falta do seu grande amor. Ela não tinha um lar seu, de verdade, já que André não aceitava sair da casa da mãe e, principalmente, não acatava a rigidez de regras de comportamento, imposta por uma família tradicional e altamente conservadora.
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Naquele tempo, a maioria das mulheres seguia o pensamento "ruim com ele, pior sem ele". E submetiam-se a tudo e a todos em nome do casamento. Mesmo que esse fosse o grande fardo de suas vidas. Maysa não aceitou esse fardo. Lutou pela sua liberdade. Liberdade de pensar, de agir e de ser. Mas não soube lidar com toda sua energia, vitalidade e solidão. Ganhou dinheiro e fez sucesso, mas perdeu o amor de sua vida e encontrou o vazio da solitude e da angústia.
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Existem pessoas que priorizam a carreira ao amor ou à família. Hoje em dia isso é muito comum. Afinal, o "ter" está exterminando o "ser" já faz muito tempo. E ainda hoje, existem homens e mulheres que não aceitam o trabalho do outro. Ou não suportam o sucesso do outro. Sem contar que o amor é considerado por muitos como sentimento banal, piegas.
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O "excesso de tudo" de Maysa não era apenas referente ao cigarro, à bebida, às drogas para dormir, à velocidade. Ela também tinha excesso de "ser". Porque Maysa era intensa e verdadeira em seus sentimentos. E foi justamente essa intensidade toda, grande causadora do excesso de tudo que, com o tempo, gerou a fragilidade diante da vida.
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TOM JOBIM e VINICIUS DE MORAES - Brasília SInfonia da Alvorada

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BRASÍLIA - SINFONIA DA ALVORADA - RARIDADE - vinil
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Tom Jobim e Vinicius de Moraes

É a única gravação completa desta importantíssima obra de Tom e Vinicius. Com a Orquestra Sinfônica sob a regência de Tom Jobim, o Coro Dante Martinez sob direção de Roberto de Regina, o Recitativo por Vinicius de Moraes e Tom Jobim.


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ATIBAIA

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FAIA: "O FESTIVAL DOS FESTIVAIS" VAI COMEÇAR!


Está tudo pronto para a abertura oficial do calendário de Festivais de Cinema pelo Brasil. E como já acontece há quatro anos, caberá à estância climática de Atibaia, a 60 quilômetros da capital paulista, a honra desta inauguração.
O FAIA – Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual – exibirá o melhor da produção brasileira de curtas-metragens do ano passado, promoverá uma extensa programação política de grande interesse para o mercado audiovisual nacional, e ainda fará sessões exclusivas de curtas internacionais de vários Festivais parceiros. E essa “agitação” toda acontecerá entre os dias 20 e 25 de janeiro.

Tradicionalmente conhecido como o evento que abre o ano cinematográfico, o FAIA recebe o apelido carinhoso de "O Festival dos Festivais", já que sua mostra competitiva é composta totalmente por filmes premiados em festivais de cinema do ano anterior.
Para este ano, o FAIA 2009 coloca em competição 30 curtas que representam os estados de São Paulo (com 9 filmes), Pernambuco (5 filmes), Rio de Janeiro (02), Goiás (02), Rio Grande do Sul (02), Ceará (02), Espírito Santo (02), Minas Gerais, Paraíba, Bahia, Amazonas (1 de cada), mais o Distrito Federal (com 02 filmes). Conheça os concorrentes no www.festivaldeatibaia.com.br .

Durante o FAIA acontecerão dois eventos da maior importância:

* CBC - Congresso Brasileiro de Cinema que reúne 54 entidades do audiovisual – Haverá assembléia de mudanças de estatutos e eleição do CBC.

* IV EIAC - Encontro Ibero Americano de Cineclubes, que reúne 10 países ibero americanos. Estão confirmadas as presenças de representantes de Portugal, Espanha, México, Cuba, Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia e Equador, além do Presidente da Federação Internacional de Cineclubes – FICC -, o italiano Paolo Minuto.
No temário: Cineclubismo Global, Campanha Pelos Direitos do Público, Cineclubismo e Educação, Memória, Identidade e Diversidade Cultural.
A FICC - Federação Internacional de Cineclubes ainda promoverá novamente a entrega do prêmio Dom Quixote ao melhor filme do Festival. O filme será indicado pelo Júri da FICC composto por: Júlio Lamanã (representante da Federação Catalã de Cineclubes); Guigo Pádua (Escuela de Cine y TV de Cuba), Laura Godoy (Coordenadora da Cinemateca do Equador), Yenny Alexandra Chaverra Gallego (Diretora de Cinema do Ministério da Cultura da Colômbia) e Carlos Seabra (diretor de difusão e Acervo do CNC).

No dia 24 de janeiro, às 14h30, o Secretário do Audiovisual Silvio Da -Rin realizará várias ações durante o FAIA, entre elas:

- Lançamento dos três primeiros editais da Secretaria do Audiovisual para 2009.
- Apresentação dos novos nomes que comporão a equipe da Secretaria do Audiovisual.
- Assinatura de protocolos de parceria e convênios com o CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros e com a ABD Nacional.
- Assinatura dos termos de convênio entre o MINC (Mais Cultura), SAV, Circuito Brasil, que destinarão kits do programa de Pontos de Exibição Audiovisual para cineclubes filiados ao CNC.

PARCERIAS INTERNACIONAIS
Outro diferencial do FAIA é sua intensa programação de Festivais Parceiros Internacionais, que permite um importante intercâmbio cultural e administrativo entre vários eventos cinematográficos fora do país.

Os parceiros internacionais do FAIA são:
Festival Internacional de Contis (Contis - França)
PAFF - Pan African Film & Arts Festival (Los Angeles - EUA)
FIKE - Festival Internacional de Curtas Metragens de Évora (Évora - Portugal)
LABRFF - Los Angeles Brazilian Film Festival (Los Angeles - EUA)

4o. FAIA – Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual.
De 20 a 25 de janeiro de 2009, em Atibaia, São Paulo.
Locais: Cine Atibaia, Centro de Convenções Victor Brecheret,Difusão Cineclube e Centros Comunitários.
Patrocinadores: Lei Rouanet e Fundo Nacional de Cultura.
Apoiadores: CNC (Conselho Nacional de Cineclubes), ABD-N (AssociaçãoBrasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas Nacional), ABCA(Associação Brasileira de Cinema de Anmação), CBDC (CoalizãoBrasileira pela Diversidade Cultural), Federação Paulista deCineclubes.
Organização: Associação de Difusão Cultural de Atibaia ePrefeitura da Estância de Atibaia.

Planeta Tela Comunicações
Carolina Bressane
carolinabressane@planetatela.com.br
Jornalista ResponsávelCelso Sabadin - MTb 14.823 -
Fone 11 - 3384-6743
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

ALBERTO ABADESSA - BELÉM

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BELÉM
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JAC. RIZZO - De deuses e homens

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De deuses e homens
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Hoje vendo na tv a posse do novo prefeito, confesso que fiquei animada. Tomara que essa vontade de fazer as coisas certas e principalmente de fazer as coisas, não arrefeça!
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Não sou alguém guiado pela fé cega, que faz milhões de pessoas pelo mundo, cumprirem rituais religiosos. Para acreditar, preciso de um mínimo de sinais. E como disse Mencken, poucos fatos vejo, nessa vida, que comprovem existências de deuses ou vidas depois desta. Sou cética? Talvez sim. Não venero o deus das guerras, das misérias, da fome, da dor, do desespero!
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Então, em que acredito? Acredito em Deus... mesmo que sob uma visão muito particular. Meu Deus não decide por minha vida. Acredito que ele seja essa força, essa energia que está dentro de uma semente e que faz uma flor se abrir! Que faz com que eu busque dentro de mim emoções já vividas que tenham o poder de me fazer melhor! De nada adianta pedir à ele! Porque ele somos nós! Somos nós a força e o poder! Portanto, a grande mudança começa em nós!
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Somos no universo inteiro, um pedaço dessa energia. Assim é o meu Deus...ele está intimamente ligado a mim! E a minha melhor oração, a que é realmente eficaz, é a que faço comigo mesmo, com meus propósitos e sentimentos! É o respeito pelos milhares de pedaços desse deus, que se dividem pelo mundo, que fará de nós pessoas mais felizes! E desse planeta que habitamos, um melhor lugar para viver!
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Nós somos a nossa salvação!
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Pois tomara que esse novo prefeito olhe para dentro de si mesmo!
Tomara que ele cuide desse pequeno deus que lhe pertence
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Jac. Rizzo -
http://jacrizzo.blogspot.com/
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MÃOS

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MÃOS
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MQ
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VILLA LOBOS

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VILLA LOBOS
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Orchestre National de la Radiodiffusion Française e Chorale des Jeunesses Musicales de France sob a regéncia de Heitor Villa Lobos.
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Encontre na www.ladodedentro.com.br

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

TEATRO CUÍRA - BELÉM

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BELÉM - TEATRO CUÍRA
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Se esta rua fosse minha...O projeto “se esta rua fosse minha...” quer dar á rua 1º de Março esquina com a Riachuelo, um brilho diferente, quer que este pedacinho da cidade seja encarado desmistificadamente como um canto de cultura. É a esquina do espaço CUIRA, um teatrinho alternativo pra lá de charmoso.

No mês de janeiro, a partir do dia 18, até dia 15 de fevereiro, um mercadinho funcionará com coisinhas como: lps, roupas, bijuterias, biscoitos e outras coisitas más. Porém, nossa maior atração é que o espaço CUIRA estará em pleno funcionamento com os espetáculos dos NOTÁVEIS CLOWS, "Quem tem riso vai à lona", de 18 de jan a 1o de fev, e dos PALHAÇOS TROVADORES, "Ó, abre alas!", de 07 a 15 de fev.

São espetáculos alegres e divertidos para todas as idades.as apresentações serão somente nos fins de semana: sábados, às 17h, e domingos às 11h.vai ser um festa!

Venha!Faça desta a sua rua também...

Zê Charone
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AÍLA MAGALHÃES E JULIANA SINIMBÚ - BELÉM


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BELÉM

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ADONIAS FILHO

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ADONIAS FILHO
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JOÃO DE AQUINO E PAULO CESAR PINHEIRO -OBRA PRIMA DA MÚSICA BRASILEIRA - Sagarana

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OBRA PRIMA DA MÚSICA BRASILEIRA
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Sagarana - João de Aquino / Paulo Cesar Pinheiro

A ver, no em-sido
Pelos campos-claros: estórias
Se deu passado esse caso
Vivência é memórias
Nos Gerais
A honra é-que-é-que se apraz
Cada quão
Sabia sua distrição
Vai que foi sobre
Esse era-uma-vez, 'sas passagens
Em beira-riacho
Morava o casal: personagens
Personagens, personagens
A mulher
Tinha a morenês que se quer
Verde olhar
Dos verdes do verde invejar
Dentro lá deles
Diz-que existia outro gerais
Quem o qual, dono seu
Esse era erroso, no à-ponto-de ser feliz demais
Ao que a vida, no bem e no mal dividida
Um dia ela dá o que faltou... ô, ô, ô...
É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa é o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana...
A pois que houve
No tempo das ruas bonitas
Um moço êveio:
- Viola enfeitada de fitas
Vinha atrás
De uns dias para descanso e paz
Galardão:
- Mississo-redó:
Falanfão
No-que: "-se abanque... "
Que ele deu nos óio o verdêjo
Foi se afogando
Pensou que foi mar, foi desejo...
Era ardor
Doidava de verde o verdor
E o rapaz quis logo querer os gerais
E a dona deles:
"-Que sim", que ela disse verdeal
Quem o qual, dono seu
Vendo as olhâncias, no avôo virou bicho-animal:
- Cresceu nas facas:
- O moço ficou sem ser macho
E a moça ser verde ficou... ô, ô, ô...
É buriti, buritizais
É o batuque corrido dos gerais
O que aprendi, o que aprenderás
Que nas veredas por em-redor sagarana
Uma coisa é o alto bom-buriti
Outra coisa é o buritirana...
Quem quiser que cante outra
Mas à-moda dos gerais
Buriti: rei das veredas
Guimarães: buritizais!
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

JANE DUBOC - RIO DE JANEIRO

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JANE DUBOC - RIO DE JANEIRO
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BELÉM - Teatro Cuíra

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TEATRO CUÍRA - BELÉM
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Ah, Se Esta Rua Fosse Minha!
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Começam neste domingo o mercadinho e os espetáculos teatrais para o público infantil, no Teatro Cuíra. O mercadinho funcionará a partir das oito da manhã na Primeiro de Março, esquina com Riachuelo, pela lateral do Teatro.
O primeiro grupo a subir no palco será Os Notáveis Clowns, às 10 horas da manhã, com o espetáculo “Quem tem riso vai à lona”
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Ingresso ao preço único de R$10,00
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Uma super limpeza será realizada, em regime de mutirão, pelo Grupo Cuíra, expositores do mercadinho e a Sesan na Primeiro de Março, lateral do Teatro, neste sábado, às 17h, de tal maneira a oferecer um espaço absolutamente higienizado para a população.
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Expositores:
MULTI FARIO
OBJETOSALGARAMA
OBJETOSKADECOISA
BOLSAS E OBJETOSLESTE ARTE
CAMISETASROMP E BREXO DA BONITA
BOLSA E ACESSÓRIOSCAVE ROCK B
BOLSAMIRIAN BAYA
ACESSÓRIOSSUSANE PINHEIRO
ROUPA E BOLSAROLETA RUSSA
ROUPAGRAZIELA RIBEIRO
ROUPAQUIQUIRIQUI
ROUPABADULAQUES
BIJUTERIASANA SHIBATA
ROUPALUKA
ROUPA
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Os expositores e artistas que participarão do evento “Se Esta Rua Fosse Minha”, estarão reunidos nesta quarta feira, 14 de janeiro, a partir das 16h, quando poderão ser entrevistados.
Outra matéria interessante pode ser documentar a lavagem da rua do Cuíra, sábado, 17h.
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Contatos: PATRÍCIA GONDIM – 84174209 ou ORIANA BITAR – 84175387
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BELÉM

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BELÉM


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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

ELOMAR FIGUEIRA DE MELLO - Sertanílias

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ELOMAR FIGUEIRA DE MELLO


Encontrem o primeiro livro de Elomar Figueira de Mello o sítio: http://www.rossanecomunicacao.com.br/
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ADELBERT / GILENO FOINQUINOS - Cacique Camutá

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

LIVROS - www.ladodedentro.com.br

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LIVROS
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A EUTERPIA - Encontre na www.ladodedentro.com.br

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MARCUS VINICIUS DE ANDRADE - Produção Cultural e Propriedade Intelectual

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PRODUÇÃO CULTURAL E PROPRIEDADE INTELECTUAL

Marcus Vinícius de Andrade,compositor,mastro e dramaturgo,Presidente da AMAR/SOMBRÁS

A Propriedade Intelectual é, hoje, um dos itens prioritários da economia global e um dos temas mais discutidos nos foros internacionais. Sua relevância fica evidente quando se sabe que, na atualidade, os direitos de autor, na Inglaterra, movimentam mais recursos que a tradicional indústria naval; da mesma forma, as atividades que produzem direitos de autor significam 7,2% do PIB do México (dados de 2003), superando o agronegócio; nos Estados Unidos, a indústria cultural é responsável por mais de 4% do PIB do país (dados de 2002). Isso confirmaria porque, de alguns anos a esta parte, a Propriedade Intelectual vem ganhando maior relevância na agenda da Organização Mundial de Comércio – OMC, a ponto de ser objeto de um protocolo especial, o chamado Acordo TRIPS.


A valoração econômica da Propriedade Intelectual tende a aumentar com a eclosão das novas tecnologias. Com a crescente difusão de obras intelectuais através dos meios digitais, o mundo dos suportes físicos começa a entrar em declínio, passando a ser substituído por modos de produção, distribuição e comercialização inteiramente nova e, sobretudo, mais ágeis. No atual ambiente digital, a antiga economia voltada para a produção de bens/serviços cede lugar a uma nova economia, de licenças e direitos. Com o declínio (e até mesmo a perspectiva de eliminação) da circulação de bens intelectuais através de suportes materiais, a sociedade global incorporou a consciência de que a produção de conteúdo e a criação intelectual são os principais componentes das indústrias da cultura. Não por outra razão, há alguns anos os Estados Unidos resolveram aderir a Convenção Universal de Berna sobre Direitos de Autor, que vinham rejeitando desde 1886.

Paradoxalmente, no momento em que tudo isso ocorre, vemos eclodir também uma corrente de pensamento (surgida de interesses comerciais setorizados) que advoga a idéia de que os institutos da Propriedade Intelectual e do Direito Autoral devem ser minimizados ou até mesmo eliminados na nova ordem global. Defendendo a adoção do conceito de copyleft (em oposição ao de copyright), tal corrente justifica seus propósitos amparando-se em duas razões:


1) a circulação de bens intelectuais deve ser irrestrita e a mais ampla possível, inclusive para estímulo da diversidade cultural;

2) a facilitação trazida pelas novas tecnologias à produção/distribuição de bens culturais implica na quase total impossibilidade de controle do uso de obras no ambiente digital, daí a necessidade da flexibilização e/ou da relativização do instituto da Propriedade Intelectual, que supostamente inibiria o acesso universal à cultura.

Por mais bem-intencionadas que pareçam, tais idéias devem ser vistas com reservas, não apenas por sua juridicidade duvidosa, como também pelos equívocos culturais que acarretam. Em primeiro lugar, a comunidade internacional encaminha-se para o consenso de que não há qualquer incompatibilidade entre a defesa da Propriedade Intelectual e o estímulo à diversidade cultural. Tanto a Declaração da UNESCO pela Diversidade Cultural (2001), bem como o Projeto de Convenção sobre o mesmo tema (previsto para 2005) estabelecem claramente que a Propriedade Intelectual deve ser obrigatoriariamente protegida, ressalvando também que “el caráter específico de los bienes y servicios culturales que, en la medida en que son portadores de identidad, de valores y sentido, no deben ser considerados como mercancías o bienes de consumo como los demás”. Com isso, firma-se o princípio de que a produção cultural não deve ser regulada por disposições meramente comerciais, nisso consistindo a chamada exceção cultural, preconizada por muitos países do mundo (notadamente os da Comunidade Européia), embora com a oposição dos EUA.


Quanto ao controle da Propriedade Intelectual no mundo digital, já está evidente que ele é plenamente factível, bastando usar-se as mesmas tecnologias que facilitam a produção/ distribuição de bens intelectuais em escala planetária. Ademais, tais facilidades não podem servir de pretexto para que violações legais sejam permitidas ou estimuladas – da mesma forma que o fato de existirem armas de fácil venda no mercado não implica que seus usuários tenham uma expressa licença para matar.

Afora sua incompatibilidade com o ordenamento jurídico vigente na maior parte dos países do mundo, as propostas de flexibilização da Propriedade Intelectual (inclusive projetos como o Creative Commons), devem ser postas sob reserva à luz de outras questões, tanto de natureza econômica-social, de política cultural e até mesmo de cunho ético. Nesse sentido, cabe argumentar que:

1) Não pode haver estímulo à cultura penalizando-se economicamente os que produzem cultura. No momento em que se se reconhece a Propriedade Intelectual como valor fundamental da nova economia global, a desvalorização dos criadores é um paradoxo;

2) os criadores intelectuais não podem perder a única fonte de compensação por seu trabalho; com isso, se desestimula a própria atividade criadora; é correto que alguém crie sem remuneração?

3) os criadores não podem ser os únicos chamados a pagar a conta da democratização do acesso das comunidades aos bens culturais; será que os outros elos da cadeia produtiva da cultura (editores, gravadoras, exibidores, provedores, etc.) estariam também dispostos a diminuir seus ganhos e flexibilizar seus preços?

4) a flexibilização de direitos solicitada aos criadores vem servindo apenas para agregar valor ao negócio das grandes corporações da indústria cultural;

5) a flexibilização dos direitos também não pode ser o pedágio pago pelos criadores para poderem ingressar no mercado, sabidamente controlado pelos monopólios da produção e da mídia;

6) os projetos de flexibilização da Propriedade Intelectual podem servir a países que são consumidores de cultura. Nos países produtores de cultura (como o Brasil), eles são inibidores da geração de riquezas e da valorização da cultura como ativo econômico;

7) por outro lado, se os Estados desejam ampliar a difusão da cultura, devem fazê-lo através de políticas concretas de incentivo à distribuição e divulgação de bens culturais, notadamente os de produção independente, em vez de estimular os autores a cederem ou flexibilizarem seus direitos.

Entendemos que os Direitos de Autor possam ter algumas limitações legais nas sociedades subdesenvolvidas e pré-industriais e/ou em contextos em que há efetivas carências sócio-culturais: é o caso de alguns países da África e da América Latina, em que o consumo de bens culturais necessita ser efetivamente estimulado. Nenhum criador jamais se opôs a isso, a prática o demonstra. O que não se pode admitir é que a flexibilização de direitos autorais seja incentivada em países desenvolvidos e industrializados, apenas para incrementar os negócios das grandes corporações da indústria cultural, aumentando o seu poder de fogo monopolista.

No Brasil atual, vivemos um paradoxo: enquanto a defesa da Propriedade Intelectual é incentivada no setor industrial (em que não somos tão expressivos), ela vem sendo desestimulada na área da cultura, justamente aquela em que temos acentuada participação econômica e reconhecida inserção internacional.

Embora reconheçamos que projetos como o Creative Commons possam ter um conteúdo renovador nos países que adotam o sistema de copyright (em que a hegemonia empresarial mantém os criadores sob tutela e onde também há uma grande confusão entre Propriedade Industrial e Direito Autoral), nos países em que vigem os princípios do Direito de Autor (como o Brasil), eles são inteiramente desnecessários, porquanto o ordenamento constitucional e jurídico já estabelece que os criadores detêm a plena disponibilidade sobre suas criações intelectuais, o que lhes permite aproveitá-las (economicamente ou não) da forma que julgarem mais conveniente, podendo cedê-las, licenciá-las, ou até flexibilizá-las, se for o caso. Nesse entendimento, o Creative Commons é apenas um novo nome para uma prática já consolidada em países que adotam o Direito de Autor, não constituindo um instituto inédito ou renovador. No Brasil, ele apenas oferece, aos criadores, prerrogativas que os mesmos já possuem - estando também longe de ser um atributo de justiça ou uma reforma agrária autoral, como afirmou apressadamente o Ministro Gilberto Gil quando no cargo.

O fato do discurso pela flexibilização dos direitos autorais vir servindo basicamente para facilitar a atividade das grandes corporações da indústria cultural, aumentando a mais-valia de seus negócios, justifica porque tal idéia vem sofrendo ampla rejeição internacional.

Por outro lado, haveria que admitir que, se as questões sociais devessem ser resolvidas pela diminuição, limitação e/ou flexibilização dos direitos da cidadania (como parece propor o idéario neo-liberal), a sociedade teria a justa prerrogativa de pleitear a adoção de uma espécie de Essencial Commons, no qual se previsse também o rebaixamento dos custos da alimentação, da terra, da moradia, do ensino, da saúde, dos bens de consumo, etc., como forma de permitir o acesso dos cidadãos a esses itens, tão prioritários quanto a cultura.

No caso específico de nosso país, entendemos que o Governo brasileiro vem se mostrando ineficiente na salvaguarda dos direitos e garantias da cidadania, inclusive na área cultural e, especificamente, no campo do Direito de Autor. Ao contrário, o Governo vem optando por querer tutelar a Sociedade Civil, assumindo uma postura intervencionista (como no caso do Projeto ANCINAV, que propõe uma absurda limitação patrimonial dos direitos autorais nas obras audiovisuais e a própria estatização da gestão de tais direitos), que viola expressamente o Art. 5°, inciso XXVII da Constituição Federal, uma cláusula pétrea da Carta Magna.

O projeto ANCINAV também contraria os princípios do Convênio de Berna, do qual o Brasil é signatário e sobre o qual se baseia nosso ordenamento jurídico sobre Direitos de Autor, violando ainda as disposições de proteção autoral estabelecidas nos Tratados que firmamos no âmbito da Organização Mundial de Comércio – OMC, o que poderá ensejar sanções econômicas ao país. Entendemos ainda que, ao endossar projetos de limitação e/ou flexibilização de direitos autorais, de forma genérica e indistinta, sem levar em conta sua adequação a necessidades efetivas, o Governo brasileiro apenas desestimula a criação e os criadores nacionais, aumentando seu empobrecimento e ampliando sua dependência e tutela pelos monopólios de produção e comunicação da indústria cultural, o que é mais grave.

Os Governos podem muito, mas não podem tudo. Quando Ministro da Cultura, Celso Furtado - a quem agora rendemos uma homenagem - dizia que o Estado é a forma suprema de organização da sociedade. Devendo agir em prol do bem comum, cabe ao Estado exercer papel regulador e normativo. No entanto, jamais ele poderá arvorar-se em tutor da sociedade ou incentivar sua submissão aos interesses de agentes econômicos privados ou mesmo públicos. Uma sociedade democrática, de cidadãos livres, não pode conviver com tal situação, nem permití-la. Esse parece ser o desafio que vivemos atualmente na discussão pública da cultura.

A defesa da cultura brasileira passa obrigatoriamente pela defesa do instituto da Propriedade Intelectual, não apenas como um valor humanístico em si, mas também como um valor econômico, como um fator gerador de riquezas, cujos benefícios inevitavelmente reverterão para a sociedade como um todo.